Início Site Página 37

A reinvenção do turismo

Para vocês, mais um artigo do nosso colaborador Pedro B. que aborda o tema “A reinvenção do turismo“, um ponto de vista perspicaz que teve origem numa conversa sobre o lançamento de um álbum de um músico conhecido.

Como você irá planejar sua próxima viagem? Com seu agente de turismo ou pela internet? Você ainda se lembra como fazia um plano de viagem antes de surgir as facilidades da internet?

A reinvenção do turismo

A reinvenção do turismo

O outro dia em conversa com um músico bem conhecido da nossa praça, perguntei-lhe se ele já tinha lançado o seu último álbum. Disse-me que sim, que já tinha lançado há cerca de um mês. Perguntei-lhe de seguida onde o podia comprar, porque nas minhas incursões semanais pelas fnac’s ainda não o tinha encontrado e o que já tinha ouvido na rádio tinha-me aberto o apetite. Respondeu-me que não o encontraria em nenhuma loja de discos e que o tinha de comprar online.

A minha reação foi de alguma consternação, pois refletida naquela obrigação de compra, estava a incapacidade do meu amigo editar um suporte físico (como o costumava fazer nos seus álbuns anteriores) e ainda assegurar uma distribuição razoável para, pelos menos, pagar o seu investimento. Não lhe falei sequer da promoção do seu disco.

Os tempos mudaram, respondeu-me ele com uma inquietante tranquilidade e hoje os discos editados servem apenas como bandeira promocional. Não é uma fonte de rendimento e na verdade só para muito poucos é que o foi. Um disco com sucesso, na ótica do artista contemporâneo, é aquele cujas vendas conseguem pagar o seu investimento em estúdio e edição. Repara bem, disse-me ele, em estúdio e em edição, não as horas que gastamos na criação dos temas e nos correspondentes ensaios. Os discos eram e são negócio para as editoras. E até certo ponto está certo, pois elas asseguram a sua promoção e distribuição que não é trabalho fácil. Mas, para os artistas e criadores, pouco sobra e se estamos a falar em início de carreira, então o cenário é próximo da desolação.

Mas foi o modelo de negócio que foi criado e até há muito pouco tempo era o único que tínhamos à nossa disposição para fazer chegar o nosso trabalho à praça pública. Hoje esse modelo subsiste, com alguns ajustamentos. Um contrato com uma editora obriga a muito mais do que apenas ter a obrigação de editar um disco de x em x tempo, pois a indústria encontra-se numa grave crise desde há uns anos.

Mas não quero entrar por aí, pois seria um tema que daria “pano para mangas”. Quero reter-me, algures no meio da nossa conversa animada, numa frase que o meu amigo lançou e que me chamou a atenção e de alguma forma me obrigou a repensar como vejo e como interpreto os novos meios de comunicação ou, de uma forma mais corrente, os media sociais.

Era qualquer coisa como: “O ato de venda através do site é um momento profundamente intimista. Eu sei quem é que me está a comprar o álbum, consigo falar com ele, ver a sua cara, emergir numa parte da sua vida através das redes sociais e ainda ouço o som de caixa registadora, emitido pelo meu computador, quando uma transação é efetuada”.

Nunca tinha visto a coisa assim. Sempre percecionei os novos canais web de distribuição como uma alternativa aos canais clássicos de distribuição, uma espécie plano B para quem não consegui singrar no sistema. Mas esta reflexão do meu amigo destruiu este edifício dogmático que construi à volta da minha profunda e genuína apreensão e desconfiança que sinto por estes meios sociais.

Eu sou da geração que viu nascer a internet e a world wide web. Ainda assisti ao nascimento dos telemóveis, do multibanco e do CD, e vi na primeira fila como estas e outras brilhantes invenções mudaram e moldaram, para sempre, a nossa vida. Sou o que se chama um “Imigrante Digital”, pois passei a ter novas ferramentas à disposição para melhorar e potenciar a minha vida. O meu amigo músico tem menos 20 anos do que eu. Para ele os discos de vinil são objetos “vintage”, fotografar com filme fotográfico é um “statement” e os blusões de cabedal com chumaços nos ombros, dos anos 80, são peças próximas da arte. Ele é um “Nativo Digital”, que se pode definir como alguém que nasceu e cresceu com as tecnologias digitais.

A sua perceção do mundo e da sociedade é tão diferente da minha que arrepia. Como Imigrante Digital a minha luta é integrar-me nas novas regras e a cada avanço que faço, a cada conquista que realizo, deixo um rasto de horas a tentar perceber como estas novas coisas funcionam. E só depois aplico-as a meu favor. O meu amigo e todos os nativos digitais não necessitam deste esforço. O seu ponto de partida é o meu ponto de chegada. Toda a estruturação de pensamento parte de uma base adquirida e natural, a qual eu sonho apenas em atingi-la. Para ele, o meio digital não é nada de extraordinário. Ele existe e está à nossa disposição e na verdade não é nada que não apenas mais um meio para atingir um determinado objetivo.

A minha preocupação com os jovens que trocam o campo de futebol lá da rua pelo facebook é, na verdade, uma preocupação desnecessária, exagerada e irrealista. O campo de futebol ainda existe e o facebook também. Porque que é que se há de optar por apenas um deles? Porque não tirar proveito dos dois? É certo que existe sempre um exagero no início, mas as redes sociais vieram para ficar e, pasmem-se os imigrantes digitais, funcionam e funcionam de formas que nós nunca vamos entender porque, simplesmente, o nosso filtro de perceção é tão antiquado que se não tivermos a capacidade de o desligar, corremos o risco de nos tornarmos infelizes e indigentes até ao fim dos nossos dias.

O meu amigo tem razão. Os níveis e intimidade que ele conseguiu transportar para o seu modo de vida, são tão insuportavelmente bons e eficazes que só me resta invejá-lo. Eu também quero um modo de vida assim. Provavelmente nunca o conseguirei, mas nada me impede de tentar.

Mas o que tudo isto tem a ver com viagens e com o turismo? Tem tudo a ver. A viagem estendeu-se e deixou de estar balizada pelos aeroportos de origem e destino. O espaço-tempo da viagem passou a ser ilimitado, ubíquo se assim o desejarmos. E o contrário também. Já não estou sujeito às apreciações de um agente de viagens sobre um destino ou aos textos inócuos e descaracterizados das brochuras e folhetos de viagens. Posso preparar a minha viagem no Tripadvisor, Google maps, street viewer e Google earth. Posso contatar diretamente com populações locais, recolher opiniões em tempo real e vivenciar locais através de fotografias e filmes de outros que já passaram por lá. Posso prolongar a minha viagem muito além da data prevista de chegada, assistindo “ao vivo e a cores” tudo os que os meus novos amigos estão a fazer no momento.

O turismo é, e tem de ser, muito mais do que uma viagem. Fazer turismo é um ponto de partida para uma vida mais sustentável, mais equilibrada, mais útil, mais intimista, como diria o meu amigo. A imersão neste novo mundo passará por uma capacidade de conhecer, perceber e intervir de uma forma eficaz, necessária, mas também prazenteira.

A intimidade ganhou novos contornos, novas possibilidades. E nós estamos aqui para aproveitar e desfrutar.

Bons preços para vôos e viagens

Quando pensamos em planejar uma viagem a primeira coisa que pensamos é em como fazer uma big viagem sem gastar muito. Digo isso porque sempre recebo emails de leitores a perguntarem como é possível viajar sem ficar no “vermelho”.

Começo por dizer que para se fazer uma viagem é preciso planejar o que pretende antecipadamente, parece um pouco óbvio não é? Mas este é um dos segredos para se conseguir bons preços em hospedagem em vôos.

Você pode preferir procurar uma agência de viagem, mas lembre-se de que numa agência para além de taxas adicionais, nem sempre é possível criar seu próprio roteiro e escolher os pontos da cidade que quer conhecer. Quase sempre as agências já apresentam pacotes fechados, no que por vezes está incluido não só o preço dos bilhetes aéreos, mas hospedagem em determinado hotel e alguns percursos turísticos diminutos pela cidade escolhida. Acrescentamos a isso o horário estipulado pela agência para os passeios turísticos, que acaba por tornar impossível conseguir ver as coisas com calma e desfrutar do momento. Afinal queremos uma viagem e não participar de uma maratona certo?

Uma dica de ouro é planejar sozinho a sua viagem. Existem atualmente bons sites para reservar hospedagem em hotéis, pousadas, albergues ou outro tipo de alojamento. Conheço alguns que habitualmente costumo consultar e tenho conseguido excelentes promoções.

bons-precos-para-voos-e-viagens

No quesito vôos baratos, vale a mesma dica, existem excelentes sites de busca por preços como por exemplo um que conheci recentemente e que me oferece opções de escolha em várias companhias aéreas. Se quiserem conhecer podem faze-lo em: Jetcost

Relativamente a alimentação, isso vai depender muito da cidade (e país) que pretende visitar. Se for Europa reserve pelo menos 25 Euros por pessoa, para uns cafézinhos, um almoço básico e um jantar básico.

Quanto aos gastos adicionais com museus e passeios turísticos, já é possível comprar os bilhetes antecipadamente pela internet para museus, teatros, feiras e eventos. Isso facilita muito, já que por vezes se comprar online consegue obter alguns descontos adicionais e reservar para a data exata que deseja.

Compras de roupas e souvenirs, esta é a verdadeira perdição de quem viaja. Afinal quem não quer comprar uma bugiganga qualquer, uma pequena réplica do monumento visitado, ou algum artesanato local? Quase todo mundo quer. Eu quando viajo tenho sempre que comprar qualquer coisinha. Estipule um valor máximo que pretende gastar. A dica é procurar preços. Neste tema muitas lojas cobram o que bem entendem e pode-se encontrar preços altíssimos. Cito Óbidos (em Portugal) como exemplo, um souvenir em Óbidos (na minha opinião) é caríssimo.

Em relação as roupas, quem é aficcionado por moda, se tiver dinheiro, divirta-se. Se quiser poupar a dica é procurar, já que peças de marcas são caras em qualquer lugar do mundo (mas ainda assim são mais baratas do que no Brasil). Pesquise antes pela internet.  Se você não faz questão de marcas, garanto-lhe que fora do Brasil você comprará roupas a “preço de banana”. Bem, isso acho que todo mundo já sabe né?

No mais, a dica final é antes de fazer suas reservas em hotéis é sempre checar se está confirmada e se não houve qualquer problema. Lembrando também que alguns hotéis aceitam cancelamento, mas cobram uma taxa como multa. Já ouvi dizer que alguns não devolvem o dinheiro papo pela reserva, por isso verifique bem as datas antes de comprar.

A simpatia do Europeu

Quase sempre tento evitar escrever aqui artigos que exponham a minha opinião pessoal, até porque nunca escrevi o blog com o intuito de opinar ou criar polêmica, mas sim com o intuito de falar sobre coisas boas, cidades, lugares e hotéis interessantes.

A idéia de fazer este post nasceu após ler uma blogueira muito famosa ter contado como foi uma viagem que ela fez à Itália e como havia se espantado com a forma grosseira como foi tratada pelos italianos.

Como eu sempre digo, em todo e qualquer assunto, nunca se deve generalizar e tão pouco rotular; mas é muito comum ouvir brasileiros e até mesmo portugueses se queixarem da forma como são tratados em alguns países da Europa.

Quanto a minha experiência na Europa, só posso dizer que assim como no Brasil, também há de tudo. Há pessoas maravilhosas, elegantes, educadas, com nível,  como também há gente muito grossa, estúpida, mal educada, sem um pingo de classe ou elegância. Enfim, é o mundo!

O brasileiro se espanta, porque quando o estrangeiro chega em terras tupiniquins (entenda-se Brasil), quase sempre é muito bem recebido e acaba por se encantar com a hospitalidade que encontra por lá; o contrário já não se pode dizer. Tenho muitos amigos que comentam que não entendem o porque de serem tratados rispidamente em alguns países da Europa. Eu também não entendo, mas sinceramente também já desisti de entender! 😉

A simpatia do Europeu

Voltando a enfatizar, não estou generalizando, para tudo há exceções, mas se você brasileiro, espera viajar pela Europa e encontrar bom atendimento, educação, simpatia, gentileza, ou outra coisa que provavelmente você encontraria no Brasil, cuidado porque isso não é regra e a decepção pode ser grande.

* É muito importante lembrar que as culturas, os hábitos, a educação, são totalmente diferentes e o ponto principal para ter uma viagem inesquecível é compreender isso. O brasileiro é muito “aberto”, muito “dado”,  faz amizade facilmente, o Europeu é mais “fechado” e não é tão receptivo a manifestações de intimidade.

* Primeiramente não pense que se você não fala o idioma local, ou não fala minimamente o inglês, alguém fará “força” para o compreender. Esqueça.

* Por favor, não trate as pessoas por “moça”, “moço”, ou chame alguém com “psiu”, “hei”, “oi”, e lembre-se “pelamordedeusssssssss” não toque no braço, ombro, face, mão ou sei lá onde se você não tiver intimidade ou for amigo(a) “chegado”  da pessoa. Isso pode desencadear muitos mal entendidos! 😉

* Também não espere entrar num restaurante, café, ou loja e ser imediatamente atendido com um sorriso nos lábios, principalmente se os empregados da casa/loja/café/restaurante estiverem a conversar sobre algum problema pessoal, sobre como foi o fim de semana deles, ou algo que lhes interesse mais do que atender o cliente. Primeiro o bate-papo, a conversa “furada”, depois, depois, e só depois quando for conveniente você será atendido. Até porque a Europa nem está em crise e tão pouco as lojas precisam vender, certo? (estou sendo irônica).

* Também não se espante se você estiver num restaurante e tiver terminado o jantar e por algum motivo quiser ficar mais um “tempinho” na mesa a conversar, e for “gentilmente” convidado a se retirar para ceder lugar à outras pessoas. Em alguns lugares um sorriso amarelo nos lábios serve bem para “fingir” simpatia. Se é que me entendem.

* Em hipótese alguma “sonhe” em pechinchar, ou pedir descontos, caso a loja não esteja em “saldos” (época em que os produtos são vendidos com descontos). Em alguns casos você corre o risco de ser expulso da loja, ou ouvir um belo e longo discurso sobre a crise que assola a Europa, e que o Brasil é rico, e mimimis…mimimis…

* Ao entrar numa loja não peça para experimentar todos os relógios, anéis, pulseiras, colares, echarpes, chapéus, etc. No máximo poderão lhe mostrar dois produtos, se você pedir mais do que isso, vão te deixar “falando sozinho”. O mesmo aplica-se a roupas. Escolha duas ou três peças,  experimente, e tente deixa-las separadas no balcão ou com a pessoa que lhe atendeu; só então escolha ou solicite outras peças para serem experimentadas. Isso vale também para os sapatos! Não pense que na Europa farão como no Brasil onde o vendedor de sapatos te mostra 45 pares de sapatos/sandálias/botas em todas as cores e um número acima ou abaixo do seu. Informe-se antes de viajar qual o seu número de calçado (e roupa)  na Europa, isso é fácil descobrir pelo Google.

* Se você chegar na Espanha, ler o cardápio e não entender absolutamente nada do que está escrito e pensar que o garçom vai te explicar, esqueça. Ele não vai te explicar e tão pouco vai se esforçar para entender o seu “portunhol”.

* Em alguns países europeus as pessoas são mais descontraídas, em outros não, você vai encontrar de tudo. Você vai encontrar desde pessoas que vão te olhar de cima a baixo, milimétricamente para analisar, avaliar e julgar a roupa que você está usando, como também vai encontrar países onde a mulher poderá fazer topless sem qualquer preocupação sobre o que vão achar dela ou do corpo dela.

* Em alguns países tenha atenção com palavras, pronomes e todos os “mimimis”, em Portugal evite tratar alguém por “TU” se não for íntimo da pessoa, para evitar gafes trate todos por você, ou melhor,  senhor ou senhora. Assim você não corre o risco de ouvir o que não quer.

* Caso você veja no café, no correio, no supermercado,  alguém aos gritos ou tendo um “chilique” com alguém ou irritado com o colega ao lado, não se meta e tão pouco se espante, em alguns países da Europa, gritos e “crises” é o que não faltam.

* Em algumas cidades da Europa, as lojas costumam fechar para a hora do almoço, quase sempre entre 13h00 e 14h30; mas em algumas o horário de almoço pode ser maior como das 13h00 às 15h00. Em algumas cidades da Espanha, principalmente na época do verão, onde o calor é muito forte, algumas lojas permanecem fechadas durante toda a tarde só reabrindo por volta das 17h00. Informe-se sobre os horários na cidade onde você for ficar, desta forma você conseguirá programar seus passeios e as compras. Lembre-se que a pergunta deve ser feita qual o horário de abertura e fechamento da loja e quais os dias. Faça a pergunta completa!

* No mais para evitar irritar-se finja-se  de surdo, cego e mudo!

Creio que basicamente seriam estas as coisas que eu teria a dizer para que o brasileiro não se espantasse demais, há muito mais coisas que eu adoraria dizer mas tenho certeza de que iria ferir a suscetibilidade de alguns, portanto fico por aqui. 😉 Espero que  tenha-me feito compreender e que não haja uma avalanche de comentários irados….rssss. That’s all folks.

Veja também: – Como é morar em outro país

Dicas para quem vai mudar de país

A cidade como bem de consumo

Quando você pensa em turismo ou conhecer uma determinada cidade, quais são as suas expectativas? O que espera encontrar? Efetivamente o que você busca? Esta pergunta é muito importante fazer-se antes de uma viagem. Abaixo temos mais um artigo colaboração de Pedro B. que como sempre nos põe a refletir sobre um tema atual e deveras importante. Vamos a ele?

cidade-bem-de-consumo

A cidade como bem de consumo

A afirmação da cidade e do homem urbano é um fenómeno consolidado no século XXI. O grande protagonismo das cidades e do modo de vida urbano é um processo que tem início em tempos imemoriais, no entanto, o surgimento das grandes metrópoles urbanas e o consequente estabelecimento de um modo de vida urbano próprio, independente e sustentável teve o seu grande “boom” logo após o fim da segunda guerra mundial. Este fenómeno coincide com a criação da sociedades de consumo que desde aí vem modelando o nosso modo de vida e estabelecendo novos padrões definidores do nosso modo de vida contemporâneo, padrões estes que se estendem por vários domínios, desde o económico, ao cultural e artístico, ao desportivo e educacional, etc.

Já tendo passado mais de uma década desde que se iniciou o novo século, tempo suficiente para que todas as dúvidas sobre o século que estamos a viver se tenham dissipado, creio que estamos a assistir a uma nova (r)evolução(?) da nossa paisagem urbana. As cidades, conotadas como pólos ativos de desenvolvimento e motores de economias pujantes e definidoras, estão a transformar-se em pólos festivos, onde o imperativo do espetáculo e do divertimento sobrepõe-se a todos os outros e de alguma forma molda a sua função e o seu estatuto.

A fruição do prazer e da diversão por quem visita uma determinada cidade tornou-se o grande objetivo de quem as gere, relegando para categorias secundárias outros objetivos que dávamos como imutáveis. A cidade está a tornar-se “não-produtiva” onde a lógica do parque de diversões e do shopping center impera e onde os seus habitantes têm de se sujeitar aos ritmos e modos de vida de quem os visita e usufrui momentaneamente.

Vários sintomas evidentes caracterizam este estado de que vos falo. Os bairros antigos são requalificados e os seus edifícios remodelados ao invés de se investir em nova construção, terrenos baldios são recuperados e transformados em espaços culturais e comerciais, antigos mosteiros e fábricas desativadas são transformados em hotéis de charme e centros comerciais, edifícios e avenidas icónicas das grandes cidades convertidas em lojas de luxo pensadas para abordar os consumidores em todas as suas dimensões sensoriais e físicas. O “entertainement” das massas impera e reduz a pó preocupações de outrora relacionados com a vivência da sua população ativa.

As cidades assumem-se como manifestações espetaculares onde o lúdico impera e tudo se faz para transmitir um ambiente de encantamento e de afastamento do “mundo real”. Julgo que a palavra “dramatização” traduz bem tudo aquilo que disse atrás. O espaço público dá lugar ao espaço comercial e molda a face da cidade. São as novas cidades do século XXI.

Entra agora a “moral a história”. O que é que isto significa? Isto é bom para o turismo? É bom para as pessoas? Ou pelo contrário, caminhamos num rumo perigoso que pode levar ao desaparecimento da cidade?

Creio que se trata de uma evolução. A globalização deixou de ser uma ideia, um sonho e é real, e isto é um sintoma da sua prática ao longo deste início do século XXI. As cidades são repositórios de cultura e a crescente procura das suas vivencias, memórias e passados só pode ser salutar para quem gosta de viajar. As cidades passam a organizar-se em torno da nossa satisfação enquanto turistas, enquanto curiosos, e adaptam ao seu ritmo às nossas expetativas. Mas a perspetiva da cidade se transformar num núcleo “não produtivo” julgo ser descaracterizadora e “artificializante”. Creio que a longo prazo não será benéfico para ninguém e eventualmente poderá levar a que repensemos a cidade de uma nova forma, desta vez levando em conta todas as variáveis que a equação urbana deverá conter para ser sustentável e, acima de tudo, gratificante e generosa para quem lá vive. Será um voltar ao “ponto zero”, um reinício com todas as coisas boas e más que poderá trazer, mas será sempre um processo custoso e doloroso até atingir o seu equilíbrio.

Museu Frida Kahlo

O Museu Frida Kahlo está situado na cidade do México, na casa onde a pintora nasceu, viveu e morreu, conhecida como “Casa Azul”! O museu nasceu 4 anos após a morte de Frida Kahlo e em seu acervo estão algumas de suas telas, objetos pessoais,  documentos inéditos, fotografias, desenhos, vestidos e livros. Segundo dizem, o  feito deve-se ao grande amigo da pintora, o poeta Carlos Pellicer, seguindo as orientações de Diego Rivera, marido de Frida.

Frida Kahlo teve uma história de vida tumultuada ao lado de seu marido, também pintor, Diego Rivera. Frida e Diego viveram uma história de amor conturbada e passional, amavam-se loucamente, porém ambos eram infiéis.

Frida era bissexual e Diego só permitia suas traições com as mulheres, porém
não permitia que Frida se relacionasse com outros homens. Diego por sua vez traiu Frida com sua irmã mais nova, ou seja, sua cunhada. Com a irmã de Frida teve 6 filhos, e Frida nunca pôde lhe dar um filho. Frida separada de Diego, resolve em 1940, retomar o seu casamento, porém cada um em sua casa.

Foto de Peter Andersen © – Wikipédia

O segundo casamento foi tão tumultuado quanto o primeiro e marcado por brigas violentas. Ao voltar para o marido, Frida construiu uma casa igual a dele do lado da que eles tinham vivido, exatamente onde hoje está o Museu Frida Kahlo.

As duas casas eram unidas por uma ponte, onde tanto Frida, quanto Diego podiam atravessar para estarem juntos; dado que desde a retomada do casamento, decidiram não mais conviver sob o mesmo teto. A casa que pertencia a Diego Rivera, também se transformou num museu, onde pode ser visto a obra e objetos pessoais do pintor.

São dois museus, um ao lado do outro, o que significa que o turista terá muito para apreciar nos dois locais. Frida e Diego são venerados no México, dado que ambos levaram o nome do país aos 4 cantos do mundo com suas obras de artes irreverentes e porque não dizer impactantes! Quem visitou o local, narra que sente-se a energia de Frida em todos os cantos, um misto de paixão pela arte, pelas cores, por Diego, combinado a uma vida conturbada e porque não dizer infeliz.

Se você aprecia artes plásticas, eis um excelente local para viajar nos meandros da arte, das cores, da vida, da paixão, do amor, dos amores passionais, e da intimidade de dois símbolos mexicanos, Frida Kahlo e Diego Rivera!

Col. Del Carmen, Coyoacán –  Cidade do México 04100 – México

Lisboa vista de um drone

Antes de visitarmos uma cidade, quase sempre buscamos frenéticamente na internet informações turísticas e pontos importantes a serem visitados; felizmente nos dias de hoje temos muita informação a nossa disposição. Nestas informações incluem-se o Google Maps que nos facilita imenso, e agora com uma aplicação indoor especial, nos ajuda ainda mais a ter acesso a detalhes importantes de diversos pontos turísticos do mundo.

Temos também uma grande novidade que são algumas imagens feitas através de um drone. O que é um drone? Para quem ainda não ouviu falar, um drone é um Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) ou Veículo Aéreo Remotamente Pilotado (VARP). Podem ser comandados a distância por pessoas ou por controladores lógicos programáveis. Enfim, um drone resumidamente é um aparelho capaz de filmar e que voa comandado a distância; pode ser usado para as mais diversas finalidades; e tem sido ultimamente utilizado no turismo para filmar e divulgar cidades.

lisboa-vista-de-um-drone

Vamos ver alguns vídeos de Lisboa realizados com drones?

Lisboa é, na minha opinião uma das cidades mais lindas do mundo, e atualmente temos imensos vídeos realizados através de drones que nos mostram estas belezas e que nos estimulam a visita-la. Andar pelas ruelas e becos de Lisboa, é uma experiência mágica e inenarrável, mas vê-la do alto é ainda mais emocionante.

Mais um vídeo emocionante, a linda Sintra:

O que vocês acham? Gostam da idéia de ver uma cidade através de um drone? Eu acho interessante, confesso que já vi alguns vídeos de locais que supunha que ia adorar e decepcionei-me, e ao contrário também.

Mais vídeos em: Ionline

Curiosidades sobre Portugal para quem vai mudar de país

Ainda no âmbito do nosso post sobre dicas para quem vai mudar de país, hoje venho vos falar sobre algumas coisas que são diferentes e curiosas se comparadas com o que estamos acostumados no Brasil. Há muito para se falar e todo dia é um novo aprendizado. Como sempre, gosto de enfatizar que trata-se apenas da minha experiência e opinião pessoal ok? Vamos a elas?

Curiosidades sobre Portugal para quem vai mudar de país

 Curiosidades sobre Portugal para quem vai mudar de país

1- Palavras, termos e expressões

Sempre indico um livro muito bom e que pode ajudar muito não só turistas que pretendem conhecer Portugal, mas também aqueles que pretendem morar aqui – Schifaizfavoire – Dicionário de Português do escritor brasileiro Mário Prata. O autor viveu muitos anos em Portugal e no início tinha muitas dificuldades para perceber algumas palavras, foi então que decidiu escrever o livro que na verdade não é bem um dicionário, seria mais exatamente pequenas crônicas em ordem alfabética. Delicioso de se ler e numa vertente brincalhona com os tropeços do autor em algumas palavras faladas em Portugal, renderá boas horas de leitura e sem dúvida algumas boas gargalhadas. As gargalhadas nascem do lado português ao ouvir um brasileiro falar e vice versa.

A indicação do livro Schifaizfavoire lhe ajudará a descobrir o que é autoclismo, água lisa, açorda, arrecadação, apuramento, atacador, etc…etc.

2- Limpeza Doméstica

Banheiro aqui em Portugal é chamado de casa de banho, ou dependendo do lugar também pode ser chamado de quarto de banho. Os banheiros (casa de banho) não tem ralo no chão, pelo que é impossível que se faça uma limpeza como fazemos no Brasil. Aqui não podemos lavar o banheiro, com água, sabão e jogar um balde de água. Não tendo ralo, não tem como a água escoar e portanto o risco de inundar a casa toda é grande. O mesmo ocorre com a cozinha, não há ralo.

Como é feito a limpeza? Um balde com água e uma esfregona. Esfregona é uma “vassoura” com um tipo de felpa na ponta. Coloca-se os produtos de limpeza misturados a água, e passa-se no chão com a esfregona. No próprio balde há um local para “torcer” a esfregona, ou seja tirar o excesso de água. Aconselha-se que a esfregona utilizada na cozinha, não seja utilizada na casa de banho, por razões óbvias!

Também aqui em Portugal existem muitos tipos de toalhitas. As toalhitas no Brasil geralmente são usadas na troca da fralda do bebé. Em Portugal há toalhitas para vidros, para tirar a gordura da cozinha, para limpar pisos de madeira e mais mil e uma utilidades. Facilitam muito a vida, geralmente custam (o pacote com várias unidades) entre 1,50 Euro a 3,50 Euros, são práticas e fáceis de utilizar. Raramente vejo aqui alguém utilizando rodo e pano de chão.

3- Lavanderia

Lavanderia no Brasil é um “cômodo” da casa, onde existe um tanque para além de lavar alguma peça de roupa manualmente, pode-se também utilizar o tanque para serviços gerais de limpeza da casa como higienizar a vassoura, os panos de chão que utilizamos, etc. É o local também onde fica a máquina de lavar roupa e em alguns casos a máquina de secar roupa (pouco comum no Brasil).

Em Portugal geralmente não há um “cômodo” especificamente para este fim ou chamado de lavanderia. Não há tanque. Já morei em muitos lugares em Portugal, já mudei muito de casa e nunca, nenhuma delas tinha um tanque. Geralmente a máquina de lavar roupa e secar roupa é instalada na cozinha. Se você desejar lavar uma peça manualmente terá de o fazer na banheira da casa de banho ou numa bacia (alguidar) na pia da cozinha.

4- Casa de Banho

Ainda sobre casa de banho, quase todas tem banheira. O famoso box que conhecemos no Brasil existe, porém não é tão comum. Aqui o “espaço” onde se toma banho com (ou de) ducha, e que nós chamamos no Brasil de box, é chamado de Poliban. Alguns tem vidro em volta, outros não tem. O Poliban ao meu ver é como se fosse uma “bacia” quadrada, com as bordas com uma certa altura para que a água não saia para fora e inunde tudo.

5- Faxineira e empregada doméstica

Aqui empregada doméstica mensalista é luxo puro, eu em quase 10 anos nunca vi alguém que tivesse uma empregada doméstica a full time. Também a faxineira que aqui chamamos de “mulher a dias” ou “senhora da limpeza” é contratada por hora e antecipadamente deve-se combinar para quais os serviços ela foi contratada. Esta coisa da faxineira chegar logo cedo e passar o dia inteiro na limpeza, eu nunca vi aqui. O preço por hora varia e depende da cidade e acerto entre as ambas as partes. Geralmente é por volta de 6 Euros a hora.

Existem também empresas especializadas em limpeza doméstica, de escritórios e etc. Estas também cobram a hora, analisam préviamente o serviço que deve ser feito e quase sempre enviam duas senhoras para efetuar a limpeza, cobrando por cada pessoa 6 Euros por hora. Sendo duas senhoras, você pagará 12 euros por hora.

6- Horário comércio e bancos

Quase sempre as lojas fecham para a hora do almoço. Geralmente entre 13h00 e 14h00, porém não há regra fixa, muitas fecham às 13h00 e reabrem às 15h00. Os bancos geralmente abrem das 8h30  às 15h00 (dias úteis).

7- Caixa eletrônico

Aqui o caixa eletrônico (Banco 24horas) é chamado de caixa multibanco, caixa automático, terminal bancário ou ATM – remote banking (do inglês: Automated Teller Machine – ATM).

Por isso se alguém lhe perguntar onde fica o ATM mais próximo já sabe! 🙂 A novidade ou diferença não é só no nome, aqui o caixa multibanco pode ser encontrado em qualquer calçada (aqui chamamos de passeio), sem qualquer tipo de proteção blindada como há no Brasil.

8- Lavar o carro e Posto de Gasolina

O posto de gasolina é auto atendimento, ou seja, não há “frentista”, não há uma pessoa para lhe atender, você pára o seu automóvel próximo a bomba de gasolina (gasolineira) e abastece o tanque (depósito) de combustível sozinho. A seguir dirige-se a caixa, quase sempre situada dentro de uma loja de conveniências e efectua o pagamento. Não, ninguém sai sem pagar, se é o que você pensou nesse momento. Claro que óbviamente isso já ocorreu, mas isso é raríssimo. Todo mundo aqui (geralmente) cumpre direitinho as regras do jogo.

Quanto a verificação do óleo e da água e demais etcs do automóvel você deverá fazer sozinho. Caso não saiba ou não queira deverá procurar uma empresa que faça por si.

Para lavar o carro existem postos de serviços que podem fazer para você, mas no geral utiliza-se também estações de serviço onde você estaciona o seu automóvel numa “box” que contém uma máquina para se inserir moedas e escolher a ação. Primeiro água e sabão, depois enxague e por fim a água final para tirar qualquer resíduo de calcário que possa ficar no carro. A seguir é chegado o momento da aspiração. Você estaciona numa outra box e também através de uma máquina, ao inserir moedas poderá escolher o tempo de aspiração. Com 5,00 ou 6,00 Euros é possível fazer uma boa limpeza no seu veículo e aspirar a parte interna.

9- Serviços Gerais

Em Portugal não é como no Brasil onde em cada esquina se encontra um encanador (aqui chamado de canalizador) ou um eletricista, e onde todo mundo conhece alguém que faça serviços gerais por um precinho baratinho. Aqui paga-se caro por tudo isso e não é fácil encontrar disponibilidade para tal.

10- Farmácia e todos os etcs sobre este tema

No Brasil a farmácia é um “faz tudo”, curativos (pensos), aplica-se injeções, compra-se remédios, etc…etc. Em Portugal para fazer um penso (curativo) ou tomar uma injeção o utente (ou utilizador) deve se dirigir ao Centro de Saúde onde deve estar registado préviamente. Sim registado e não registrado. Não é cadastro. Estar cadastrado aqui, quer dizer ter passagem pela polícia. ok? 😉

Se você estiver a viver em Portugal, e mediante uma série de burocracias poderá se registar no centro de saúde da sua área de residência e depois de algum tempo (as vezes é bem demorado) poderá ter acesso ao médico de família, que será o responsável por atender todos os membros (agregado familiar) da sua família.  Pagará sempre a taxa moderadora de 5,00 euros por consulta. Se não tiver médico de família, passará por uma consulta “aberta” também mediante o pagamento de uma taxa moderadora  de 5,00 Euros.

Se você for turista em caso de emergência dirija-se ao hospital público, mediante o pagamento de uma taxa que creio hoje ser por volta de 18,00 ou 19,00 euros poderá ser atendido por um médico. Se demora para ser atendido? Sim, quase sempre demora.

11- Comida

Como já referi anteriormente em outro artigo, aqui encontra-se facilmente uma grande variedade de peixes, frutos do mar, marisco, caracóis, coelho, borrego (cordeiro), carne de porco variadas, enchidos, alheiras, etc. Se você não gosta de nada disso a sugestão é para que antes de adentrar a um restaurante, leia o cardápio (Menu) que quase sempre se encontra exposto a entrada do estabelecimento. Garanto que vai lhe poupar de muitos desgostos.

12- Cozinhar em casa

Aqui felizmente encontramos coisas muito práticas para cozinhar em casa:  Legumes dos mais variados tipos congelados e semi prontos. Carnes pré cortadas, peixes frescos sem escamas e limpos, preparados para purês de batata que ficam prontos em 3 minutos, feijão em lata super saboroso,  molhos e natas que ficam prontos em poucos minutos, etc. Por isso, tudo fica muito fácil comprarmos umas coisinhas saborosas e fazermos a nossa própria comida.

Os produtos brasileiros são encontrados em algumas lojas especializadas, porém não é em todo lugar que tem estas lojas, então você vai ter que se adaptar com os produtos que tiver em mãos.

13 – Livro de Reclamação

Por lei, todo estabelecimento comercial tem um Livro de Reclamações onde o consumidor poderá registar o seu descontentamento com o atendimento ou com algo que tenha corrido mal durante o atendimento (de uma loja, restaurante, etc) ou estadia num hotel.  Utilize em casos que julgue importante e não por um motivo banal ok?

14- Pressa

Se estiver com pressa, antes de ter pressa, tenha paciência. No Brasil estamos acostumados a ser atendido imediatamente, entramos numa loja ou farmácia e já temos pessoas prontas a nos atender. Em Portugal ou na Espanha, não é bem assim. Calma, muita calma nessa hora. Você será atendido assim que possível.

15- Atendimento

Se você acha que aqui ou em outro país da Europa vai ter uma pessoa prontinha para te atender e deixar você experimentar todas as roupas que te apetecer e 10 pares de sapatos para escolher o que mais lhe agrada. Esqueça. Na loja de sapatos, vão lhe apresentar exatamente o par de sapatos que você manifestou desejo em experimentar, na numeração exata a e na cor exata. Se você começar a perguntar: Tem em branco? Tem em preto? Tem em roxo? ……Bem, melhor você fazer isso para poder saber……depois conte-me! 😉

O mesmo ocorre nas lojas de jóias e bijuterias. Os brincos aqui por questão de higiene não podem ser experimentados, no máximo você pode colocar a frente da orelha e olhar no espelho para ver se o tamanho lhe fica adequado. Não insista, não pode, não pode. Ok? Não seja chato ou chata.

16- Trânsito

Mais uma vez volto a dizer, calma e paciência. Em cidades pequenas as ruas são estreitas, quando não são estreitas são as pessoas que andam devagar. Raramente você verá um semáforo numa cidade pequena. Na estrada mantenha-se do seu lado direito, a pista da esquerda é apenas para ultrapassar.  Da mesma forma que você detesta que atrapalhem a sua vida, não atrapalhe a vida dos outros. Ok?

Passadeira (faixa de pedestre) pare! Aqui é obrigatório parar. Pare. Pare. Ok? Não preciso repetir ne? 😉

* Bem para já, creio que estas são algumas das perguntas que me fazem acerca da minha experiência de quase 10 anos a viver em Portugal. Há muito mais coisas para falar, coisas engraçadas, curiosas, divertidas, diferentes, há coisas que facilitam imenso a nossa vida, e que se fosse no Brasil seria um caos. No início a gente fica um bocado perdido, é como se tivessemos que reaprender tudo….coisinha por coisinha. Hoje já esqueci de como era fazer muita coisa no Brasil, às vezes me perguntam e eu fico perplexa e digo…olha não lembro.

No mais tenho certeza absoluta de que a maioria vai adorar viver em Portugal. Eu adoro, é o país que escolhi para viver, onde me sinto feliz, e que em resumo é onde quero ficar para o resto da minha vida. A principal dica é: Valorize o que é bom. O que for menos bom ignore! Nenhum lugar é perfeito, nenhum povo é perfeito e nada nesse mundo é exatamente do jeito que a gente quer! 😉

Guia de viagem bipolar

Quando você pensa em viajar qual a próxima coisa que pensa? Organizar um roteiro com horários e lugares que pretende visitar, acertei? Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo colaboração de Pedro B. sobre este tema, que nos faz pensar muito e que muitas vezes nos faz divergir  de opiniões entre os amigos e familiares. Eu confesso que prefiro tudo organizado, mas por um lado viajar com hora marcada para tudo e ter um time específico para cada programa me deixa bastante estressada. E você? O que acha?

Guia de viagem bipolar

Guia de viagem bipolar

Planear uma viagem é um momento crítico. Antecipar um conjunto de detalhes irá, certamente, fazer com que o nosso investimento de tempo e dinheiro esteja garantido de forma a potenciar aquele momento mágico para o qual estivemos a sonhar e a poupar durante o ano inteiro.

Planear é, portanto, uma tarefa que exige tempo e prática. É um processo que se vai construindo ao longo de várias viagens até chegarmos a um ponto ótimo que nos permite estabelecer padrões comuns para qualquer destino.

Umas pessoas atingem este ponto ótimo mais rápido do que outras. Não tem a ver apenas com capacidades de organização. Tem a ver com outras características de personalidade como, por exemplo, a timidez. Trata-se de um processo que vamos aperfeiçoando ao longo das nossas viagens até chegarmos aquele ponto em que pouco ou nada nos surpreende. É, portanto, um processo útil para eliminarmos o risco durante as nossas viagens e tirarmos o máximo partido do nosso destino.

No meu caso, atingi o ponto ótimo ao fim, de talvez, 4 viagens. Confesso-vos que apesar de ser um objetivo, quando o atingi e assim eliminei grande parte dos fatores de risco na minha 5ª viagem, senti um vazio e um artificialismo muito grande. Não gostei. Não gostei de ter tudo organizado até ao mais ínfimo detalhe, com tudo programado até ao minuto, e sem ter de empreender qualquer esforço na procura de soluções no momento.

Artificial é o melhor adjetivo que caracterizou a minha 5ª viagem. De tal forma me desagradou, que nas minhas viagens seguintes apenas tive o cuidado de marcar as viagens e avião. Tudo o resto foi feito no momento, proporcionando-me experiências inesquecíveis, tenham sido elas boas ou tremendamente más. Mas, no “fim do dia”, o saldo foi bastante positivo e o número de histórias e estórias a contar aos meus amigos aumentou consideravelmente.

Acredito que tudo isto, na verdade, se trata de uma questão de feitio. Há viajantes que gostam de ter tudo planeado e há outros que não gostam. Mas, no meu caso, caso não tivesse passado por um processo rigoroso de organizar as minhas primeiras viagens até ao último detalhe, não teria tido o prazer que tive quando decidi mudar radicalmente a planificação das minhas viagens.

Hoje trago-vos um guia de preparação de viagem bipolar. Bipolar porque tento abordar estes dois hemisférios que vos falei – organização rigorosa e ausência dela. Ambas são extremamente válidas e ambas, tenho a certeza, proporcionam extraordinárias recordações de uma viagem. O primeiro hemisfério tem uma predominância racional e o segundo é quase totalmente emocional. É um pouco como “largarmos as feras” que temos dentro de nós sem qualquer preocupação. Misturar os dois hemisférios será o ideal.

Como planear uma viagem

1. Escolher um destino

Hemisfério Racional – Para escolher um destino, discuta as várias possibilidades com os seus amigos. Faça pesquisa online, participe em fóruns e peça opiniões a viajantes experimentados. Pesquise fotos, artigos de jornal e revistas e navegue em blogs de viagem. Tenha em atenção condições climatéricas, rede de transportes, doenças e saneamento básico, condições políticas e sociais e momentos de lazer à disposição (cultura, shopping, praias, etc.)

Hemisfério Emocional – Calor ou frio? É só o que interessa. Encontre na net a passagem mais em conta, ou melhor, pegue na sua mochila, dirija-se ao aeroporto e escolha o destino naquele momento (meu Deus, como gostaria de ter a coragem de fazer isto!).

2. Escolher uma data

Hemisfério Racional – Terá a ver com a sua disponibilidade de tempo. Qual o momento oportuno em que consegue tirar férias sem comprometer o seu trabalho. Tenha em consideração se pretende viajar para um destino em época alta ou baixa e já agora combine este fator com o fator económico. Qual a melhor altura para beneficiar de promoções e descontos?

Hemisfério Emocional – A data da minha viagem é móvel. Aparece quando me chega a vontade de desaparecer. E nada de obstruções profissionais ou de outra natureza qualquer. Vou quando me apetecer e nada de submissão a promoções ou descontos. O meu coração vai ditar a melhor altura para viajar e ninguém tem nada a ver com isso.

3. Planear um itinerário

Hemisfério Racional – Adquira guias de viagens do local escolhido. Faça pesquisa na net e estabeleça uma lista com uma ordem cronológica dos locais a visitar. Prioritize estes locais e divida-os por natureza (cultural, lazer, desportivo, etc.). Planeie ainda o acesso a estes locais. Consegue aceder por transportes públicos? É necessário apanhar um táxi? Estabeleça um budget a gastar neste itinerário de forma a ter um referencial e assim controlar os seus custos.

Hemisfério Emocional – O itinerário da minha viagem será feito no momento. Depende do meu estado de espírito na altura e da minha disponibilidade. Às vezes uma cerveja gelada vale mais do que um quadro de Picasso e não há que ter qualquer vergonha em admitir isso.

4. Estabeleça um Budget

Hemisfério Racional – Elabore uma tabela Excel com todos os custos previstos por item. Guarde sempre uma margem para os imprevistos. O rigor e a exatidão vão determinar grande parte do sucesso da sua viagem.

Hemisfério Emocional – Tenho na minha posse uma quantia de dinheiro estimado para os dias de viagem. Espero que seja suficiente. Se não for tenho de voltar mais cedo, ou então se correr bem até fico mais uns dias e conheço mais locais. Preocupar-me com o dinheiro vai-me dar angústia e vai estragar a viagem. Se tiver de gastar mais dinheiro num determinado local é porque valeu a pena.

5. Efetue reservas

Hemisfério Racional – Quando estiver absolutamente certo do destino escolhido, é tempo de fazer reservas de voos, alojamento e se possível de espetáculos e atividades culturais e de lazer. Faço-o o mais cedo possível para garantir os melhores preços e evitar espera em filas de última hora.

Hemisfério Emocional – Reserve apenas o seu voo de ida e volta. Tudo o resto acontecerá por si. Para quê estar a reservar qualquer coisa em antecipação e assim condicionar o meu roteiro de férias? Fila de espera, nem pensar! Quero aproveitar tudo o que conseguir sem qualquer constrangimento de agenda. Certamente irei descobrir os melhores hotéis e os melhores locais quando chegar ao meu destino. E se tiver de dormir na rua, paciência.

6. Seguros e documentos

Hemisfério Racional – Tenha tudo em ordem com maior antecipação possível. Não arrisque.

Hemisfério Emocional – Tenha tudo em ordem no momento da viagem. Não arrisque.

7. Bagagem

Hemisfério Racional – Otimize ao máximo o seu espaço disponível. Se possível deixe algum espaço livre para trazer recordações na volta. Pense em mudas de roupa suficientes caso não consiga lavar roupa durante o percurso. Pense numa forma de identificar imediatamente a sua bagagem no momento da recolha nos aeroportos. Adapte os seus sacos ou malas de viagem aos transportes que vai utilizar no destino. A segurança destas também é um detalhe a ter em conta.

Hemisfério Emocional – Qual é a mochila mais leve?

Dark Tourism – As novas formas de turismo

Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo fascinante de Pedro B.  que nos põe a pensar. Novas formas de turismo surgem diariamente e o Dark Tourism é uma delas, porque nos sentimos atraídos por este tipo de viagem e/ou lugares? O que queremos captar conhecendo certos lugares? Bem, vamos ao artigo e depois cada um de vocês irá refletir e descobrir o que pensa sobre o tema e quais lugares desejaria visitar.

Dark Tourism – As novas formas de turismo

A saturação dos destinos turísticos tradicionais fazem emergir novas formas e modalidades de turismo assentes nas necessidades sociais das sociedades contemporâneas. O “labeling” ou a “etiquetagem” destas novas formas tem uma grande importância, pois serve como bússola para o viajante que procura novas sensações associadas ao momento de recriação associado ao turismo.

Uma destas etiquetas que me tem chamado a atenção é o “Dark Tourism”. Segundo Famaki e Stone, o “Dark Tourism” é entendido como o “tipo de turismo que envolve a visita a locais reais ou recriados, associados à morte, sofrimento, desgraça, ou ao aparentemente macabro”.

Apesar de arrepiante não é um conceito novo, pois estes locais sempre foram alvo da nossa curiosidade. Lembro-me, por exemplo, a casa de Anne Frank em Amesterdão, ou da prisão de Alcatraz em São Francisco ou ainda das ruínas romanas da cidade de Pompeia. São locais de grande interesse turístico e que fazem parte integrante de qualquer roteiro turístico destas cidades.

Esta forma de turismo ganhou recentemente grande expressão após os atentados de 11 de Setembro em Nova York. O “Ground Zero” é local de peregrinação nesta grande metrópole e toda uma indústria turística floresceu assente na exploração deste momento de puro horror e destruição.

A “morte” e o lado sinistro da natureza humana são, assim, os principais “drivers” deste tipo de turismo, e quando o colocamos desta forma, assim tão crua, o “Dark Tourism” merece uma reflexão profunda e séria sobre os motivos que nos levam a investir tempo e dinheiro nele e, principalmente, sobre as razões que levaram a que, devido à sua enorme procura em todo o mundo, a indústria turística criasse uma categoria ou uma etiqueta específica associada.

O que é que procuramos quando optamos por visitar o campo de concentração de Auschwitz, ou as valas comuns no Cambodja, ou o monumento em memória das vítimas de Hiroshima, ou a central nuclear de Chernobyl? Uma redenção, uma memória para transmissão futura, uma centelha de sofrimento para partilhar com as vítimas, uma curiosidade mórbida? Não sei, mas algo poderoso se passa para que a exploração destes momentos e locais sejam motivo de interesse e peregrinação.

Julgo que a razão mais válida, mas não a única, é a memória para transmissão futura. É importante ter esta noção de que as tragédias devem e têm de ser irrepetíveis e que devemos aprender com elas. E estas viagens ao horror e ao macabro são duras, mas eficazes, lições sobre tudo o que não queremos que o ser humano, que os nossos pares, sejam. Talvez se os vários governos patrocinassem viagens aos campos de concentração nazis, os partidos neonazis pura e simplesmente se evaporassem, ou percorrer a rota dos escravos enviados de África para a América do Sul fosse obrigatório nas escolas, o racismo e a escravatura deixassem de fazer qualquer sentido nos dias de hoje.

A redenção também poderá ser uma motivação forte e aqui a herança religiosa das nossas sociedades tem um grande protagonismo. A “lavagem” dos nossos pecados passa por vivenciar o horror para que possamos aprender uma lição que nunca mais nos esqueceremos. É uma perspetiva interessante, devo reconhecer, mas ao mesmo tempo, uma ponte para nos esquecermos dela e cairmos facilmente na curiosidade mórbida, que, embora preocupante, reconheço que possa ser viável ou natural. Convém é que possamos ter a capacidade de compreender e isolar esse momento, sem que ele passe a fazer parte dos nossos traços de personalidade.

Tudo isto é altamente perturbador porque não conseguimos encontrar razões claras da nossa atração pelo horror e pela morte. Mas ela existe e inclusive já foi transformada em produto turístico. Cabe-nos a nós fazer com que a exploração desta vertente seja equilibrada, consciente, racional, pedagógica e enriquecedora. Caberá também aos agentes do turismo saber explorá-la com contenção e responsabilidade, onde o lucro não seja o único motivo pelo qual investem no “Dark Tourism”.

Hotel Lisboa Regency Chiado

O Hotel do Chiado como o próprio nome já diz está situado num dos pontos mais emblemáticos da capital Lisboeta, o Chiado, famoso pelos cafés divinais, pelos teatros, bares e restaurantes e óbviamente pela arquitetura ímpar. A localização é fabulosa dado que o Elevador de Santa Justa encontra-se a uma caminhada de 5 minutos do hotel; bem como a Praça do Rossio, Rua Augusta e as demais ruas comerciais da região, sem esquecer das fabulosas lojas que o Chiado abriga.

Hotel Regency Chiado - Fotos site Oficial ©
Hotel Regency Chiado – Fotos Site Oficial ©

O Hotel do Chiado caracteriza-se pelo charme e bom gosto, oferecendo ao hóspede um terraço com uma das mais belas vista de Lisboa. A decoração é sóbria e discreta, e os quartos são equipados com cofre, ar condicionado, tv a cabo, mini bar, acesso a internet, máquina fotocopiadora e fax, Video-messaging (através da TV), etc.

Hotel Regency Chiado - Fotos site Oficial ©
Hotel Regency Chiado – Fotos Site Oficial ©

Os quartos ‘Premium Rooms’ tem varanda privada e a fantástica paisagem do Castelo São Jorge, a Catedral de Lisboa e o rio Tejo. O Hotel do Chiado conta também com o Bar Entretanto oferece uma impressionante paisagem panorâmica sob a cidade de Lisboa e é o local ideal para alguns momentos de tranquilidade. Lisboa por si só é uma experiência única, com certeza hospedando-se no Hotel do Chiado, você levará em sua memória momentos inesquecíveis e de rara beleza.

Hotel Regency Chiado - Fotos site Oficial ©
Hotel Regency Chiado – Fotos Site Oficial ©

Saiba mais no site oficial: – Hotel Lisboa Regency Chiado

E se pudéssemos fazer turismo imaginário?

Adoro ler, se pudesse devorava um livro por dia. Os livros sempre foram uma das minhas grandes paixões e posso considerar-me uma privilegiada porque tive oportunidade de ler centenas. Por ser uma apaixonada por livros e viagens (imaginárias ou não)  este artigo de Pedro B. exclusivo para o Bigviagem fez-me viajar em todos os sentidos. Tenho certeza de que vocês vão adorar tanto quanto eu! 😉

E se pudéssemos fazer turismo imaginário?

No último artigo que vos escrevi, falei-vos de novas formas de turismo e das motivações que levam a materialização destes novos conceitos. O desafio que vos lanço hoje também tem a ver com novas formas de turismo, mas vamos deixar o mundo físico e vamos viajar um pouco na imaginação e no verosímil. Proponho-vos lugares imaginados, que não existem, mas deviam existir, que embora não ocupem qualquer metro quadrado, povoam um grande número dos nossos neurónios, das nossas memórias e, porque não, das nossas recordações. São lugares fabulosos, imaginados por mentes prodigiosas que tiveram a coragem e a destreza de nos oferecer não só novos locais, mas também novos hábitos e novas perspetivas que nos ajudam a “ginasticar” a nossa imaginação e a libertar-nos do nosso quotidiano e do nosso mundo físico.

As formas de turismo estão fortemente ancoradas numa “fisicalidade” inultrapassável que tem implicações que determinam as nossas possibilidades enquanto turistas. Para visitar um determinado local necessito, fundamentalmente, de ter tempo e dinheiro. O equilíbrio entre estes dois factores determinam, não só, os destinos que escolho, como também toda a construção mental à volta do próprio ato de viajar.

São condicionalismos naturais e que temos de saber viver com eles. Mas felizmente, existe um mundo livre de “fisicalidade”, onde o tempo e o dinheiro são fatores muito pouco determinantes e as suas portas de entrada estão acessíveis a todos – a verdadeira democratização do turismo. Esse mundo está contido em milhares de páginas escritas por autores munidos de uma capacidade de imaginação extraordinária e capaz de transformar o nosso sofá em aviões ou naves supersónicas que nos levam para ambientes verdadeiramente únicos. É uma espécie de turismo imaginário, de destinos verosímeis que, gostemos ou odiemos, obrigam-nos a um “jogging” mental e imaginativo de um valor incalculável. Imaginem-vos privados destes destinos em criança – que seria da vossa infância, e da vossa vida, sem a terra do nunca do Peter Pan ou o país das Maravilhas de Alice?

Hoje trago-vos 8 dos meus destinos de turismo imaginário favoritos. Eles povoaram a minha imaginação, principalmente em criança, mas também em adulto. Ajudaram-me a olhar para a vida de uma forma diferente e consolaram-me muitas vezes em alturas menos fáceis da minha vida. São apenas 8 exemplos dos muitos que, felizmente, estão à nossa disposição, e, desde já, faço-vos um convite a comentá-los e partilhar com os outros leitores todas as vossas impressões e sensações quando viajaram até eles e a sugerir outros destinos imaginários que fizeram parte da vossa vida.

Fantasia – Do livro história interminável de Michael Ende.

Fantasia – Do livro história interminável de Michael Ende

Bastian Baltazar Bux após a morte da sua mãe, encontra um livro num antiquário chamado História Interminável. Rouba o livro e refugia-se no sótão da sua escola para se dedicar a lê-lo. Descobre o mundo de Fantasia, um mundo alternativo que está a ser consumido pelo “nada”, porque as crianças acreditam cada vez menos nas histórias de encantar e por isso a fantasia faz cada vez menos sentido e está devotada ao esquecimento e à morte. Bastian vai descobrir que só ele poderá salvar Fantasia e entra dentro do livro numa aventura de proporções épicas. Um livro absolutamente extraordinário e de uma imaginação galopante e viciante.

MÜ de Hugo Pratt

MÜ de Hugo Pratt

Corto Maltese, o marinheiro errante criado pelo Veneziano Hugo Pratt é, para mim, a tradução perfeita do viajante sem pátria que vagueia pelos 5 continentes à procura do significado da vida e da própria existência. Corto Maltese passeou-se pela América do Sul, pela Europa, por África e pela Ásia, algures num tempo situado entre as duas grandes guerras. O seu criador, dono de um traço único e hipnotizante ofereceu-nos todo um universo povoado de personagens fascinantes e ambientes mágicos, crenças perdidas e utopias só possíveis nas suas vinhetas. A última viagem de Corto Maltese foi ao continente perdido de MU, uma terra sem geografia, povoada de lendas e mistérios dos 4 cantos do mundo e acompanhadas pela maior parte das fascinantes personagens que Corto Maltese foi encontrando ao longo de todas as suas anteriores aventuras.

HAV de Jan Morris

HAV de Jan Morris

Jan Morris ofereceu-nos a cidade de HAV, situada algures na Europa, na encruzilhada de várias civilizações e refém da sua condição de refúgio de grandes personagens do século XX. Correm rumores que HAV foi edificada em cima da antiga cidade de Tróia, capturada e saqueada pelos cruzados, reconquistada por Saladim e posteriormente povoada por Italianos, Gregos, Árabes, Alemães, Russos e por muitas outras nacionalidades e até pelos últimos trogloditas conhecidos. Serviu de porto de abrigo a Richard Burton, Chopin, Tolstoy, Grace Kelly, Lady Di e crê-se que também Hitler pernoitou por lá. Jan Morris deambula por esta cidade imaginária do mediterrâneo oriental com uma elegância incomum e uma verosimilhança capaz de nos enfeitiçar e hipnotizar com consequências irreparáveis para a nossa imaginação.

WESTEROS de George R. R. Martin

WESTEROS de George R. R. Martin

Westeros é o continente que dá abrigo aos 7 reinos das crónicas do Gelo e do Fogo do ficcionista norte americano George R. R. Martin. Adaptada para televisão com o título “A Guerra dos Tronos” (título do primeiro volume da saga) foi um estrondoso sucesso mundial e, seguramente, já ocupa um lugar de grande destaque entre as grandes obras de ficção científica e fantasia. Terra mágica, de personagens ambíguas, dragões devastadores e verões e invernos que duram vários anos, Martin construiu um ambiente inspirado na idade média europeia, com pormenores verdadeiramente surpreendentes. As personagens principais são mortas sem piedade, os bons afinal são maus e vice-versa, aliás como na vida real. A crueza das suas descrições e a liberdade na exploração dos sentimentos e das ações das personagens, fazem desta saga uma formidável viagem a mundos que provavelmente já existiram, mas que, felizmente, acabaram por se extinguir, ficando apenas como uma recordação da nossa memoria coletiva.

TERRA MÉDIA de J.R.R. Tolkien

TERRA MÉDIA de J.R.R. Tolkien

E Tolkien criou a Terra Média para que todos nós pudéssemos desfrutar das aventuras do senhor dos Anéis. Pouco falta para que esta extraordinária criação seja centenária e a sua construção é tão sólida e consistente que continua a encantar pessoas em todo o mundo. Quem quer eliminar os Elfos e os Hobbits das suas vidas? Quem é louco o suficiente para não sucumbir a esta magnífica viagem entre terras de fogo, aranhas gigantes e seres encantados? Todo um universo foi criado a partir desta poderosa obra de ficção e toda uma geração foi influenciada pela imaginação e capacidade fraturante deste criador de mundos. Depois da criação da Terra Média tudo mudou… E ainda bem!

GOTHAM CITY de Bob Kane e Bill Fringer

GOTHAM CITY de Bob Kane e Bill Fringer

Emulação da cidade de Nova York, Gotham é uma cidade povoada de vilões e pesadelos negros e tenebrosos que nós bem nos esforçamos por contê-los na nossa imaginação, mas que sabemos que poderão estar mesmo ao virar da próxima esquina. Terra de super-vilões e lar do Batman, único super-herói sem super-poderes, Gotham é como uma madrasta que apesar de má e cruel, exerce sobre nós um fascínio indecifrável. Gotham está bem guardada por Batman, mas isso não é suficiente. Gotham é bonita vista de longe, preferencialmente com o foco de luz do morcego bem visível.

SPRINGFIELD de Matt Groening

SPRINGFIELD de Matt Groening

Os Simpsons vivem em Springfield, uma pequena cidade situada algures nos Estados Unidos e facilmente reconhecível pela sua central nuclear, pelo seu letreiro semelhante ao de Hollywood e, claro, pelo bar do Moe. Quem não se divertiu com estas incomparáveis personagens criadas por Matt Groening, e que nos têm acompanhado ao longo de mais de 20 anos? Ainda hoje, Bart, Hommer, Lisa e companhia continuam bem vivos e com uma vitalidade anormal para a sua idade. E ainda bem. Os Simpsons conseguiram uma grande proeza de se imiscuírem na nossa vida e na nossa cultura ao longo de várias gerações. Se houvessem viagens para Springfield, certamente iriam encontrar-me lá a beber uma cerveja com o Hommer no bar do Moe enquanto os meus filhos estariam a andar de skate com o Bart e a tocar trompete com a Lisa.

NEO TOKYO de Katsuhiro Otomo

NEO TOKYO de Katsuhiro Otomo

Neo Tokyo é uma enorme cidade construída em cima de uma ilha artificial na baía de Tóquio, após o fim da terceira guerra mundial, que eclodiu em 1988 após uma enorme explosão que destruiu totalmente a cidade de Tóquio. O responsável por esta explosão foi uma criança com poderes psíquicos incontroláveis e que, para segurança da humanidade que resta, encontra-se em total reclusão, algures em Neo Tokyo. Esta criança é Akira e o seu criador proporciona-nos uma distopia poderosa e impressionante ao longo de um épico de banda desenhada com mais de 2.000 páginas. Um local feio, sujo, cruel e miserável, mas com uma capacidade invulgar de nos impressionar e fazer com que nunca mais voltemos lá. Esta é uma viagem que não queremos que se torne realidade.

Conheça o Edifício Martinelli

Muitos dizem que São Paulo é apenas uma grande metrópole, feia, cinzenta e sem brilho algum, mas a verdade é que muitos também desconhecem o passado glorioso da cidade mais rica do Brasil, e atualmente o maior pólo financeiro da América Latina. A capital paulista é recheada de pontos emblemáticos, históricos, curiosos e pitorescos. Em cada canto uma história, uma lenda urbana, um registro de grandes obras, muitas delas realizadas por imigrantes europeus que lá desembarcaram em busca de prosperidade.

Assim começa a história do Edifício Martinelli, que recebe com visitas préviamente agendadas,  grupos turistas de todo o mundo. Em 1889 chega a São Paulo, o imigrante Italiano Giuseppe Martinelli com o sonho de fazer fortuna na América. Não era América do Norte, era América do sul, mas vá lá, milhares de imigrantes chegavam a São Paulo com esse sonho e onde centenas fizeram grandes fortunas, dentre eles o jovem Giuseppe Martinelli.

Giuseppe, após 20 anos já tinha construído um patrimônio considerável, e ávido por deixar um legado mais permanente de seu trabalho, além de sua importante empresa de navegação em Santos, o então já Comendador Martinelli,  decide erguer na cidade São Paulo o mais alto arranha-céu da América do Sul, o Edifício Martinelli.

edificio-martinelli
Edifício Martinelli – Fotos Site Oficial – Direitos Reservados ©

Grande polêmica se formou, dado que a cidade naquela época apenas possuía edifícios com no máximo 5 andares, porém a construção do Prédio Martinelli deu-se em início de 1924, levando avante um projeto que pretendia construir um prédio com mais de 100 metros de altura, inicialmente apenas com 12 andares. O local escolhido era um dos pontos mais nobres e caros da cidade, entre as ruas São Bento, Líbero Badaró e avenida São João.

Toda a envolvência da construção foi detalhadamente pensada e criada por grandes profissionais na área de construção civil, contando com a colaboração de mais de 600 operários. Sendo 90 artesãos, italianos e espanhóis, que cuidavam do esmerado acabamento. O comendador investiu em materiais nobres como mármores importados da Europa, espelhos e cristais Tcheco, papéis de parede especiais, etc.

A construção foi demorada e o comendador Martinelli entusiasmado com  a obra passava a desejar um prédio ainda maior, e cada vez mais acrescentava mais andares ao projeto. Ao fim contou com 30 andares, sendo os 5 últimos andares destinados a sua residência. Foi entre 1934 e 1947 o maior arranha-céu do país e, durante um tempo, o mais alto da América Latina.

Já na década de 1960, o Edifício Martinelli entra em total decadência, foi invadido por pessoas de baixa renda,  transformando-se  num dos lugares mais tenebrosos para se viver; sendo inclusive palco de alguns crimes que tiveram grande impacto na sociedade paulistana.

A história do Edifício Martinelli é longa e eu sugiro uma visita ao site oficial caso tenha interesse em conhecer mais.

O Prédio Martinelli é tão grandioso que possui três entradas:
– R. São Bento, 397 a 413
– Av. São João, 11 a 65
– R. Libero Badaró, 504 a 518

Horários:
Seg a sexta 9:30 as 11:30 e 14:00 as 16:00
Sabados das 9:00 as 15:00 e domingos das 9:00 as 13:00

Entre em contato pelo Tel: (11) 3104-2477

Os mínimos denominadores comuns de uma cidade

Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo colaboração de  Pedro B. que novamente nos leva a uma grande viagem emocional e também imaginária. Sem dúvida que vos levará a dedicar algumas horas do seu dia a pensar sobre qual a sua opinião acerca dos mínimos denominadores comuns de uma cidade. Eu ainda estou cá a pensar nos meus! 😉

Os mínimos denominadores comuns de uma cidade

Os mínimos denominadores comuns de uma cidade

Do nosso espólio de memórias de viagens sobram sempre recordações especiais, sejam elas positivas ou negativas. Este processo de arquivo e recoleção é um processo involuntário e funciona muitas vezes ancorado no nosso estado de espírito. Embora o nosso cérebro tenha capacidade de gravar praticamente todos os momentos que vivemos, a nossa capacidade de processamento não é suficiente para acompanhar esta incrível proeza, gerando-se então um processo de eliminação e seleção que dá origem àquilo que chamamos de memória, ou à falta dela.

Reconhecer e pensar nesta mecânica quando estamos a viajar não serve de nada, pois no momento da viagem estamos a receber, em bruto, uma quantidade enorme de estímulos, cuja conversão momentânea apenas nos serve para gerar momentos de prazer, de alegria, de terror, de amor, de medo, de uma série de estados de alma que cumprem a função de nos munir de ferramentas para gerir aquele momento.

Mas o momento seguinte também é muito interessante, pois, imediatamente antes acumulamos uma nova experiência que muitas vezes nos vai ditar, de uma forma voluntária, mas, principalmente, de uma forma involuntária, como vamos reagir a outras situações que se nos deparam. Pensar neste processo e tentar descodificá-lo é extremamente cansativo e improdutivo. Tentar perceber os seus rudimentos pode ser interessante para potenciarmos momentos e quem sabe, conseguirmos contrariar ou influenciar, o processo involuntário de recolha de memórias.

Mas as coisas tornam-se verdadeiramente interessantes, quando concluímos uma viagem, regressamos a casa e fechamos um determinado processo. A partir deste momento, as recordações desta viagem formam-se e passam a fazer parte integrante da nossa vida, da nossa personalidade. A minha pessoa passa a ser uma pessoa diferente em função da recordação das experiências vividas durante uma determinada viagem. Por exemplo, quando visitei Nova York em 2000, atravessei a ponte de Brooklyn à noite, a pé. Embora, hoje em dia, milhares de turistas usufruam, a todas as horas, deste maravilhoso ícone de Nova York, na altura em que o fiz, ninguém se atrevia a tentar esta “proeza”, por inúmeras razões ligadas, principalmente, à segurança. Nas minhas descrições desta viagem, inclui sempre este “feito” e os meus interlocutores abriam a boca de espanto em consequência desta ousadia. Esta ousadia conferiu-me novas características de personalidade junto dos meus amigos.

Estes “pequenos nadas” ganham uma importância desmedida quando pensamos neles e podem determinar, por exemplo, se conquisto uma pessoa ou não, se estendo uma conversa, se sou convidado para prolongar um determinado momento. E em consequência disso mesmo, a minha auto-estima vai sendo consolidada e formada, levando-me a que seja uma melhor ou pior pessoa, mas definitivamente diferente do que era há momentos atrás.

Por isso interessa, de alguma forma, investir em momentos que, de facto, possam contribuir para que uma determinada viagem, uma determinada experiência, sejam benéficas para a minha pessoa. Arrisco-me a chamar a este processo qualquer coisa como “potenciação do momento”. E para estarmos preparados para identificarmos este momento, temos que saber dosear bem os “imputs” emocionais e racionais. Emocionais serão aqueles que são condicionados pelo momento, ou seja, carecem de qualquer programação ou previsão. Os “imputs” racionais serão aqueles que estão pensados à partida, que nos preparamos para eles e cujo decorrer da experiência depende mais de nós próprios do que das variáveis associadas.

Nada poderemos fazer quanto aos emocionais, nem devemos, mas quanto aos racionais podemos, certamente, meter a nossa “colherada”. A sistematização e a aprendizagem deste processo racional iniciaram-se em mim, aquando da primeira vez que visitei Londres. A viagem de avião tinha corrido muito mal, pois os voos atrasaram-se mais de 5 horas no aeroporto de Lisboa. Como se não bastasse, levei mais de 2 horas a recuperar as bagagens em Heathrow. Apanhei o metro para o centro de Londres e quando saí, carregado de malas, na estação de metro indicada, estava a chover e, claro, não encontrei o hotel. Levei mais de 1 hora a andar a pé até encontrar o hotel, que era francamente mau, feio e cheio de empregados mal dispostos.

Coloquei as infernais e pesadas malas no quarto e saí para jantar num restaurante ali perto. Estava cansado, saturado e com uma péssima impressão da cidade e dos seus habitantes. Como se não bastasse, o restaurante que escolhi foi palco de uma operação policial de grandes dimensões. Juntei o medo ao meu portfolio de sensações londrinas. Fugi dali e encontrei um extraordinário restaurante que me serviu um prato que não me lembro (lá está o tal processo seletivo de memória) e pude, finalmente, contemplar aquela cidade em paz e de barriga acomodada. No meio daquele momento de conforto não me consegui conetar com Londres, até ao momento em que ouvi uma sirene de ambulância. Ao ouvir esta sirene involuntariamente descansei a minha consciência, pois estava numa grande metrópole. Aquela sirene foi o meu “wake up call”. A partir daquele momento só guardo boas recordações de Londres.

O som da sirene das ambulâncias passou a ser um dos meus denominadores comuns a qualquer cidade. Quando os ouço, descanso pois tenho a certeza que estou numa cidade a sério, numa cidade que vai de encontro às minhas expetativas. É estranho, não é? Por isso é que é involuntário. Mas este é um processo muito próprio e que só a mim diz respeito. Houve ali, em Londres, qualquer processo que se desencadeou em mim que passei a comparar sirenes de ambulância a momentos de conforto urbano. Não parece muito saudável, é certo, mas, para mim, é inultrapassável. Na verdade preferia infinitamente mais que estes meus denominadores comuns de uma cidade estivessem ligados, por exemplo, a estilos arquitetónicos, ou à botânica, ou mesmo a um determinado clima social. Mas não estão. Estão ligados a sirenes de ambulâncias. Que grande partida que a minha consciência me pregou.

Lanço-lhe o desafio, caro leitor, de tentar descobrir os seus próprios mínimos denominadores comuns de uma cidade. É um processo interessante e tenho a certeza que irá gostar de o fazer. Se quiser partilhe com todos os outros leitores do Bigviagem. Iremos descobrir coisas interessantíssimas e despoletar ligações nos nossos processos mentais que julgávamos impossíveis.

A art-appeal de Lisboa

Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo do nosso colaborador Pedro B. que vos dará uma visão sobre Lisboa numa perspectiva diferente. Muitas pessoas acham que Lisboa é só história antiga, mas engana-se, Lisboa tem muitas vertentes e quase sempre surpreendentes pela positiva.

Infelizmente em Lisboa, e em muitos outros locais de Portugal, o que não faltam são prédios devolutos, os motivos são os mais variados, o dono faleceu e não tem herdeiros, os herdeiros estão em luta judicial para saber com quem fica a parte melhor da herança , um dos herdeiros se recusa a assinar documentos para liberação do prédio, e por aí vai. Felizmente, na minha opinião, grandes artistas decidiram mostrar sua arte nas fachadas destes prédios devolutos. Eu gosto, e você? Bem, vamos ao artigo de Pedro B. abaixo…. 😉

A art-appeal de Lisboa

Como morador e cidadão da cidade de Lisboa sinto-me um privilegiado quando percorro as suas ruas e sou impactado pelas inúmeras pérolas de arte urbana que ao longo dos últimos anos tem invadido as suas fachadas de prédios e estruturas abandonadas.

Foto de Stick2target - Fonte Alexandre Farto
Foto de Stick2target – Fonte Alexandre Farto

A obra que vos apresento em cima cruza-se comigo quando pego na minha bicicleta para fazer os quilómetros que o meu corpo me pede quase diariamente. Fico sempre entusiasmado quando passo por ela e não consigo deixar de esboça um sorriso entrecruzado com um “ohhh” de admiração. Sou mesmo um sortudo não acham?

Ao longo dos últimos 10 anos a arte urbana ganhou um fôlego impressionante. Hoje em dia este tipo de arte concentra grande parte da atenção não só da comunidade artística, mas também do público em geral. Embora seja um fenómeno com alguns anos, a sua verdadeira afirmação só se deu no início deste século, a reboque de um conjunto de artistas, cuja obra mais notável foi da responsabilidade do artista de rua inglês Banksy.

Bansky-Flower
Fonte: Popular Resistance

O legado de Banksy não é só gráfico. As suas intervenções contêm mensagens poderosas e universais, capazes de nos tocar a todos, impregnadas de uma atualidade e contemporaneidade pensadas para resistir ao tempo e para nos fazer rir e sorrir. E esta comicidade faz com que a fruição do objeto de arte seja um momento de verdadeiro prazer, retirando a aura de sacralização que envolve as obras-primas.

Tornaram-se uma espécie de clássicos instantâneos e, de alguma forma, revolucionaram o mundo da arte, pois, não só, foi capaz de catapultar uma nova classe de artistas que viviam na clandestinidade, como também acrescentaram, como nenhum outro artista ou movimento artístico, a noção de efémero à arte. Faz sentido pensar em arte de rua que dure para sempre? Penso que não, e isso acrescenta uma noção interessante quer à obra, quer ao próprio momento de arte.

E felizmente para mim e para todos os Lisboetas, a nossa cidade está muito bem apetrechada destas obras efémeras e que certamente vão ser um dos fatores que caracterizam a Lisboa do início do século XXI. Felizmente também para a grande quantidade de turistas que hoje em dia usufruem das belezas e prazeres desta cidade, na qual, tenho a certeza, junto aos pasteis de Belém, ao mosteiro dos Jerónimos e outros ícones conhecidos, a arte urbana também é um dos principais chamarizes e responsável pela construção de um imaginário universal da cidade de Lisboa.

Fonte: Alexandre Farto
Fonte: Alexandre Farto

O mais notável dos artistas de arte urbana portugueses é, sem dúvida, Vhils. Detentor de uma técnica revolucionária e original, Vhils vai destruindo as paredes até elas formarem imagens verdadeiramente impressionantes e poderosas como esta aqui em cima. Reconhecido em todo o mundo, Vhils é, nos dias que correm, um fenómeno mundial, com obras presentes nas principais cidades e com exposições e monografias dedicadas à sua obra. Cruzo-me com várias diariamente e não consigo deixar de olhar para elas sempre com renovada admiração e espanto. Não resisto em colocar mais um exemplo da sua obra neste artigo.

art-appeal-rua
Fonte: Alexandre Farto

Esta relação íntima da cidade de Lisboa com a arte urbana teve um grande impulso com a intervenção de uns artistas brasileiros numa das suas principais avenidas, a convite da câmara municipal e Lisboa. Os Gêmeos presentearam a nossa cidade com intervenções impressionantes em edifícios abandonados. Quando as vi pela primeira vez, fiquei absolutamente impressionado. Estas intervenções ainda hoje existem e caracterizam a cidade de Lisboa.

Lisboa-art-appeal
Fonte: The Guardian

Desde então a arte urbana tem florescido a uma velocidade impressionante em Lisboa. O seu reconhecimento por parte das autoridades e do poder político também é evidente e a reboque deste novo fôlego têm surgido artistas e intervenções de cortar a respiração.

Urban-Art-lisboa
Fonte Urban Art Photos – C215 ©

E quem ganha com isso somos todos nós. Os que moramos em Lisboa, pois temos uma cidade muito mais bonita, e os que vêm visitar Lisboa que usufruem de uma nova dimensão de Lisboa… e tudo isto gratuitamente, sem filas e muitas vezes fruto de um acaso.

urban-arte
Fonte: Obvious

Aproveitemos, portanto, este momento único da cidade de Lisboa, pois o efémero desta arte irá fazer com que estas obras-primas em breve se transformarão apenas em memórias ou pixéis de uma imagem captada para a posteridade.

art-urban-jose-saramago
Fonte: Trek Earth
1- Fonte: Parqmag 2- Fonte: Urban Photos 3- Fonte: Lilablogade
1- Fonte: Parqmag
2- Fonte: Urban Photos
3- Fonte: Lilablogade

É o “art-appeal” de Lisboa que está ao rubro!

arte-urbana-lisbon
Fonte: Wander Tooth

MAIS RECENTES