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(Dia de São Valentim + Carnaval) – Lei de Murphy = Viagem perfeita

Hoje o Bigviagem conta mais uma vez com a participação de Pedro B., nosso colaborador em alguns dos últimos artigos. Desta vez, devo dizer,  que na minha opinião Pedro B. se superou.  O artigo conjuga várias situações relacionadas a viagens, romance e carnaval; mais brilhante não poderia ser. Eu adorei, agora é a vez de vocês se deliciarem com este texto inteligente e muito bem humorado!

(Dia de São Valentim + Carnaval) – Lei de Murphy = Viagem perfeita

O próximo fim de semana adivinha-se como festivo e romântico, fruto da conjugação da celebração do carnaval e do dia de São Valentim, vulgo dia dos namorados. É o que se chama um “fim de semana de arromba” com motivos mais do que suficientes para cometer algumas loucuras. Porque não incluir a possibilidade de uma viagem?

Instintivamente fui assaltado por essa possibilidade enquanto guiava o meu carro entre os inúmeros afazeres diários que ditam o meu dia-a-dia. Pensava em finalmente oferecer-me aquela viagem descomprometida e orientada apenas para o romance e a diversão. Nestas cogitações fui interrompido por um cronista de rádio que falava da Lei de Murphy. A Lei de Murphy foi criada pelo Engenheiro aeroespacial norte americano Edward A. Murphy, e, de uma forma simples, pode ser traduzida em algo como: “Se há a possibilidade de alguma coisa correr mal, é porque irá correr mal”. Simpatizo bastante com esta formulação de lei, pois além de cómica é terrivelmente instrutiva e simples. Esta súbita intromissão da lei de Murphy levou-me automaticamente a repensar este ensejo de viajar, pois a conjugação de romance e festa pode levar a resultados muito distintos, conforme as variáveis que as compõem.

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Daí que tive de recorrer a uma equação que de alguma forma me ajudasse a escolher a melhor viagem possível para celebrar estas duas datas tão festivas, que poderão ser complementares ou absolutamente antagónicas. E porque é que é assim? Vejamos:

– O Carnaval é uma celebração em grupo;
– O dia dos namorados é uma celebração íntima e pessoal;
– O Carnaval é uma boa ocasião para descobrir um novo amor;
– O dia dos Namorados é a ocasião perfeita para confirmar os votos de fidelidade;
– O Carnaval prolonga-se em festas dançantes até de madrugada;
– O madrugada do dia dos Namorados só tem sentido acontecer num local que certamente será tudo menos público.

Jogar com todas estas variáveis e tendo a Lei de Murphy como pano de fundo, conseguem imaginar as várias receitas para o desastre que poderão surgir de uma viagem mal planeada. Por isso, recorri ao pensamento abstracto para me ajudar a planear da melhor forma possível estas importantes datas e elaborei uma equação que está reflectida no título deste artigo e que pretende responder a estas ansiedades e antagonismos resultantes da junção explosiva destas duas datas, destas duas grandes festas. A Lei de Murphy é a variável que funciona como “chamada à terra” ou se quiserem, como elemento racional em contraposição com os elementos festivos e emocionais contidos nas outras 2 variáveis.

O resultado a que cheguei, ou seja, o destino perfeito para este fim de semana é o Equador. Passo a explicar:

Comecei por enumerar possíveis destinos onde a comemoração do carnaval é relevante, pois o dia dos namorados é possível comemorar em qualquer lado desde que esteja acompanhado. Assim sendo seleccionei os seguintes destinos e combinei as variáveis (dia dos namorados e carnaval) com os locais, dando notas a cada uma das variáveis.

1. Rio de Janeiro (Brasil) – 5 namorados + 10 carnaval = 15
2. Veneza (Itália) – 8 namorados + 8 carnaval = 16
3. Nice (França) – 6 namorados + 8 carnaval = 14
4. Ptuj (Eslovénia) – 5 namorados + 6 carnaval = 11
5. Dubrovnick (Croácia) – 10 namorados + 6 carnaval = 16
6. Basileia (Suíça) – 6 namorados + 5 carnaval = 11
7. Tóquio (Japão) – 7 namorados + 5 carnaval = 12
8. Quebec (Canadá) – 4 namorados + 7 carnaval = 11
9. Quito (Equador) – 8 namorados + 7 carnaval = 15
10. Goa (índia) – 7 namorados + 7 carnaval = 14

Logo a seguir introduzi a variável Lei de Murphy que irá subtrair ao resultado da adição das 2 primeiras variáveis (procedo a explicações abaixo):

1. Rio de Janeiro (Brasil) – 5 namorados + 10 carnaval = 15 – (5+0) = 10

Carnaval no Rio de Janeiro é a maior festa do mundo, em pleno verão. Altura ideal para assumir todas as nossas loucuras. Perfeito para festa, desastroso para dia dos namorados, onde a concentração tem apenas o sentido da minha companhia. A grande festa do carnaval carioca é muito mais do que isso e vale a pena vivê-la integralmente, daí a Lei de Murphy ter anulado o dia dos namorados e não aparecer na carnaval.

2. Veneza (Itália) – 8 namorados + 8 carnaval = 16 – (2+6) = 8

Parece que o Carnaval é a altura em que Veneza fica mais cheia. Conseguem imaginar Veneza ainda mais cheia do que costuma ser? Deve ser um pesadelo. No entanto, pela sua arquitetura e história Veneza é o mais romântico dos locais, perfeito para namorar. O Carnaval, embora especial, não me parece muito espontâneo. Pelo contrário, as suas imagens revelam uma sofisticação de máscaras só ao alcance de alguns. Embora tenha alguma magia, não me atrai muito. Prefiro uma Veneza sem Carnaval. E além é Inverno.

3. Nice (França) – 6 namorados + 8 carnaval = 14 – (2+1) = 11

Não conheço este carnaval, mas pelo facto de se passar no sul de França, ganha logo uns créditos. Nice é uma cidade sofisticada e perfeita para o romance. O Sul de França contrasta brutalmente com o resto do país e por isso a festa estará sempre garantida.

4. Ptuj (Eslovénia) – 5 namorados + 6 carnaval = 11 – (2+2) = 7

Nunca tinha ouvido falar, mas pelo facto de ser na Eslovénia é para mim um motivo de curiosidade. Eslovénia é a parte industrializada da antiga Jugoslávia. Perto de Itália e da Áustria e Hungria, os Eslovenos são os menos jugoslavos de todos os Jugoslavos, mas não o deixam de ser e um carnaval na antiga Jugoslávia tem de ser sempre um motivo de interesse. Quanto ao romance, não conheço a cidade de Ptuj, mas prevejo que seja pequena e tenha poucas coisas para fazer, para alem de estarmos em pleno inverno). O quarto de hotel teria de ser magnífico.

5. Dubrovnick (Croácia) – 10 namorados + 6 carnaval = 16 – (2+2) = 12

Dubrovnick é uma cidade linda e romântica ao nível de Veneza. Os croatas são ex-jugoslavos e portanto sabem divertir-se. Parece-me uma combinação explosiva para este fim de semana.

6. Basileia (Suíça) – 6 namorados + 5 carnaval = 11 – (2+3) = 6

Os Suíços são um povo extraordinário. Eficazes, produtivos, implacáveis, frios e rigorosos. Conseguem imaginar um carnaval Suíço? Eu não. Mas os Alpes e a neve são um cenário muito romântico.

7. Tóquio (Japão) – 7 namorados + 5 carnaval = 12 – (1+5) = 6

Parece que se comemora o carnaval em Tóquio com grandes desfiles de carros alegóricos, muito samba e muita festa. A sério? Em Tóquio? Mas vale ir para o Rio de Janeiro. No entanto tenho um fascínio por Tóquio, a maior de todas as metrópoles. Romântica? Não interessa. Gostava de levar lá a minha cara metade, preferencialmente fora da época do carnaval.

8. Quebec (Canadá) – 4 namorados + 7 carnaval = 11 – (1+0) = 10

No Canadá comemora-se um carnaval assumidamente frio. Parece que é o melhor carnaval gelado do mundo e só esse epíteto merece toda a minha aprovação e simpatia. Estamos no hemisfério norte, no pino do Inverno. Porque é que temos de celebrar o carnaval como se celebra no Brasil em pleno verão? Como português farto-me de rir quando vejo imagens de carnavais no norte de Portugal, com temperaturas próximas dos 0 graus negativos (e em alguns casos mesmo abaixo) em que assistimos a corpos descascados, brancos quase transparentes e com as veias azuis e a pele de galinha a sobrepor-se à fantasia de carnaval. Não faz sentido. Carnaval gelado faz todo o sentido. No entanto para namorar, não me parece ideal.

9. Quito (Equador) – 8 namorados + 7 carnaval = 15 – (1+0) = 14

Pais perto do Brasil, relativamente inexplorado e com calor. O Equador tem de ser um pais romântico nem que seja pela sua própria situação de ser atravessado pela linha do equador. E devem saber divertir-se no Carnaval. Muito interessante.

10. Goa (índia) – 7 namorados + 7 carnaval = 14 – (1+0) = 13

Carnaval e Índia são ingredientes de um prato que nunca me ocorreriam, mas parece que existe e Goa é a sua Meca. Embora esteja no hemisfério norte, encontra-se numa zona tropical e por isso o frio não deve ser um problema. A mistura das tradições Hindus com a festa do carnaval é capaz de ser um coisa bem interessante. E Goa, uma cidade muito romântica. Índia tem o problema dos saneamento básico e da miséria social, mas neste caso penso que não seriam grande problema.

E o leitor? Onde passaria este fim de semana de arromba que se avizinha?

Burlões, vigaristas e a arte de viver

Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo de Pedro B. onde o tema central são os burlões e as aldrabices que por vezes nos deparamos em nosso dia a dia, seja na vida profissional ou pessoal. Infelizmente mentirosos contumazes é que mais tem nos dias de hoje, e há em todas as esferas. Adorei o artigo e isso fez-me lembrar algo que eu sempre gosto de avisar aqui no blog, muito cuidado com promoções mirabolantes e preços milagrosos que alguns sites de viagem (e/ou agências) prometem. Quando a esmola é demais, santo desconfia. Por isso, esteja atento! 😉

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Burlões, vigaristas e a arte de viver

Ao folhear recentemente um jornal diário, dei de caras com um artigo surpreendente que contava as aventuras e desventuras de um burlão português. Poderia ser mais uma história como tantas outras, mas esta era especial, pois em tempos conheci o burlão em causa que me foi altamente recomendado por um insuspeito colega de profissão. Tive a oportunidade de reunir com ele e trocar ideias com o intuito de uma possível colaboração. Tudo correu maravilhosamente, e este burlão possuía todas as respostas e soluções que desde há uns meses procurava desesperadamente, para implementar na empresa onde trabalhava… mas algo levou-me a suspeitar deste clima quase perfeito. Tudo estava a correr bem demais e as nossas conversas estavam bem ancoradas numa lógica coerente e aparentemente simples. Acrescente-se ainda que o burlão foi-me recomendado através de uma fonte insuspeita. Em termos formais estava tudo bem e parte da resolução dos meus problemas estava ali mesmo há minha frente. O que me levou a desconfiar e a interromper as negociações? Terá sido um golpe de sorte?

Não, não foi um golpe de sorte. Foi antes uma sensação intraduzível de que algo não estava bem e, porque representava uma empresa, senti que não deveria continuar, independentemente da falsa sensação de “eldorado” que este burlão tão bem sabia gravar nas mentes dos seus interlocutores.

Descodificar este momento de decisão é uma tarefa árdua, com tentáculos que se estendem por entre vários campos científicos e para-científicos, sobre os quais não tenho qualquer competência, mas ao ler este artigo, levou-me a rebuscar as minhas memórias. Hoje esboço um sorriso pela minha sagacidade involuntária, mas poderia estar muito pior caso naquele momento em que decidi não avançar, houvesse outras condicionantes que me levassem a fazer o contrário, e acreditem que poderia ter sido mais uma das vítimas que este burlão enganou ao longo de mais de 20 anos, tivesse ele tido mais cuidado ao apresentar as suas valências e optado por um discurso menos profético e menos ambicioso.

No entanto, simpatizei enormemente com este burlão. Falávamos a “mesma língua” e estranhamente todas as suas referencias extra-profissionais coincidiam com as minhas. Ele fez o seu trabalho de casa e criou uma personagem extremamente agradável para a minha pessoa. Esqueceu-se de que misturar o universo e as referencias pessoais com o universo profissional e corporativo nunca dá bom resultado e esta mistura talvez tenha sido o “clique” que me levou a não prosseguir com os seus mirabolantes projectos.

Hoje olho para trás e acho tudo isto muito divertido. Mas, na verdade, é um verdadeiro desastre e uma calamidade que estes sujeitos continuem a alimentar-se das nossas vidas. Este burlão foi denunciado e de uma forma verdadeiramente implacável, tal era o rol de queixas e aldrabices que deixou para trás. Vai ter uma vida muito difícil a partir deste momento. Mas até chegar aqui andou 20 anos a engendrar esquemas e a enganar pessoas em seu benefício, por vezes por milhares de euros, outras por apenas uma cama para dormir durante a noite. O que leva estes sujeitos a optar por uma vida assim?

Normalmente são mentirosos patológicos e sociopatas, com uma alto grau de inteligência e um discurso cativante e irrepreensível. Este burlão não só inventou falsas empresas, como foi blogger convidado para assistir aos comícios de um dos principais partidos políticos portugueses e inclusive discursou numa palestra promovida pelo patriarcado português sobre os benefícios das redes sociais. Centenas de pessoas aplaudiram-no… em pé!

Um verdadeiro artista, sem dúvida, que foi apanhado pelo facto de ter deixado um rasto digital grande que passava principalmente pelas redes sociais, o seu terreno de eleição. O burlão foi apanhado, precisamente, pela fonte que utilizava para sustentar os seus esquemas. Uma bela lição de vida e de uma justiça a toda a prova.

Burlas e burlões é o que não faltam por aí, principalmente quando estamos em viagem. Quem nunca foi burlado, que “atire a primeira pedra”. Várias vezes fui vítima de burla, nenhuma delas muito grave, mas verdadeiramente irritantes e desnecessárias. Mas houve uma que embora a tenha identificado logo no início, deixei correr porque o meu interlocutor era um verdadeiro artista, como este burlão que vos falei, e deixei-me levar de propósito, porque na verdade estava a gostar de perceber até onde ia este burlão. Foi divertido.

Quase como um espectáculo e no fim valeu bem a pena e deixei-me burlar… por uma ninharia. Foi no Egipto e ainda hoje revisito este momento que um grande sorriso e alguma perplexidade: Porque que é que o burlão se deu aquele trabalho para ganhar uma ninharia? Há mistérios insondáveis e ainda bem, pois por vezes, proporcionam momentos verdadeiramente impagáveis.

É neste espírito divertido, portanto, que vos escrevo este artigo e que me dei ao trabalho de pesquisar verdadeiras obras de arte da vigarice, relacionadas com o turismo. Para quem não foi vítima, trata-se quase de uma ode à vida, de um estranho e original manual sobre a arte de viver. Mas para quem foi vítima, acreditem que é tudo menos isso. Por isso, que me desculpem aqueles que foram vítimas destes “artistas de meia tigela”, mas há histórias que merecem ser contadas, como poderão ver nestas aqui abaixo.

1. Victor Lustig – O homem que vendeu a torre Eiffel… 2 vezes!

Oriundo da Hungria, este “artista” conseguiu a proeza de vender a torre Eiffel a um industrial de ferro quando se discutia, na altura (1925), se a torre Eiffel deveria ou não ser desmantelada. Para além disso, ainda vendeu uma máquina de imprimir notas de 100 dólares. Vendia por um valor absurdo (cerca de 45.000 dólares) e colocava dentro da máquina 2 notas verdadeiras de 100 dólares. Argumentava que a máquina fazia uma nota a cada 6 horas. Autor de inúmeras burlas, chegou, inclusive, a ter negócios com Al Capone que ficou verdadeiramente impressionado com a sua capacidade. Considerado o rei dos artistas das burlas. Imaginem-se a visitar Paris e a sair de lá com um título de propriedade do mais relevante ícone daquela cidade. Hilariante não é?

2. George Parker – Nova York em saldo… para turistas

A sua vida foi passado a vender monumentos e infra-estruturas públicas da cidade de Nova York a turistas distraídos. Consta que vendeu a ponte de brooklin a uma média de 2 vezes por semana. O Madison Square Garden, o Museum of Modern Art e a estátua da Liberdade também faziam parte do seu portfolio. Morreu em 1936 e passou os últimos 8 anos da sua vida atrás das grades.

3. Natwarlal – O Taj Mahal também se vende

Indiano de nascença, consegui fazer fortuna ao “vender” o Taj Mahal, o parlamento da Índia e mesmo a residência oficial do presidente da Índia a grandes industriais e empresários de vários locais do globo. Possuía mais de 50 identidades diferentes e crê-se ter enganado centenas de pessoas. Nunca foi apanhado e morreu com 97 anos em 2009.

4. Gregor MacGregor – Poyais foi um país que nasceu da sua imaginação

Em 1820, este soldado escocês regressou a Grã-Bretanha como príncipe de Poyais, um país situado algures na América central. Vinha com o objectivo de conquistar financiamento para colonizar esta terra mágica e assim o conseguiu. A expedição chegou a sair de Inglaterra com cerca de 250 investidores, enfeitiçados pela sua capacidade de sedução ajudado inclusive por guias criados por ele sobre este país imaginário. Durante a viagem, morreram de doenças tropicais e o barco acabou por se afundar nunca tendo atingido o seu magnífico objectivo.

Olinda e o Carnaval de Rua

Carnaval de Olinda
Carnaval de Olinda - Foto de Luiz Fabiano - Prefeitura de Olinda - Direitos Reservados ©

Com a proximidade do carnaval, não posso deixar de falar de Olinda e o seu carnaval de rua, na minha opinião um dos melhores do Brasil. Apesar do carnaval ser uma festa popular e com uma grande tendência a folia desregrada (se é que me entendem), Olinda, na minha opinião é um dos poucos lugares no Brasil que ainda preserva o espírito carnavalesco folclórico.

Carnaval de Olinda
Carnaval de Olinda – Foto de Luiz Fabiano – Prefeitura de Olinda – Direitos Reservados ©

Quem não conhece o Brasil em pormenor imagina que o carnaval brasileiro resume-se aos desfiles de escolas de samba do Rio de Janeiro, timidamente São Paulo e os famosos trio elétricos bahianos ‘puxados’ por grandes artistas como Daniela Mercury e Ivete Sangalo. Porém o carnaval brasileiro é muito mais história do que isso, e Olinda é a prova disso.

Carnaval de Olinda
Carnaval de Olinda – Foto de Luiz Fabiano – Prefeitura de Olinda – Direitos Reservados ©

Situada no estado do Pernambuco há apenas alguns minutos da capital Recife, Olinda é patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO, e uma das cidades mais antigas e tradicionais do Brasil. O carnaval é a época do ano que mais atrai turistas de todo o Brasil e estrangeiros, e o marco maior fica por conta dos bonecos gigantes, o frevo e os blocos populares que ‘arrastam’ milhares de foliões numa brincadeira alegre e divertida, pelas ruas da cidade.

Carnaval de Olinda
Carnaval de Olinda – Foto de Luiz Fabiano – Prefeitura de Olinda – Direitos Reservados ©

No ano de 2007 o Frevo completou 100 anos de história, e seu nome teve origem numa expressão popular que dizia que ‘as pessoas estavam frevendo na rua’, dado que a dança consiste em passos rápidos e saltitantes (como água a ferver na panela).

Para além da dança típica, os bonecos populares gigantes desfilam pelas ruas da cidade atraindo milhares de curiosos encantados pelo colorido dos enfeites, da roupas e da alegria. Mas se você pensa que o evento carnavalesco se resume somente a blocos de ruas e bonecos, engana-se. Desfiles de modas dos bonecos gigantes, corridas, eventos e competições acontecem por toda a cidade, o que anima ainda mais quem por lá se encontra.

Alguns dias antes do início do carnaval toda a cidade já apresenta eventos não só nas ruas, mas também em clubes tradicionais locais, onde a dança, a música e as comidas típicas são o mote principal dos festejos. Saiba também que o samba em Olinda é substituido por músicas regionais como o Hino do Elefante de Olinda, Homem da Meia Noite, e outras; fazendo com que o carnaval local apresente muito da cultura do povo Pernambucano.

Só quem já passou um carnaval em Olinda é que pode dizer com veemência a grandiosidade desta festa, e essencialmente o que se sente diante da cultura local, que para além da beleza,  o que mais impressiona é a criatividade do povo expresso na mais pura arte. Imperdível.

Saiba mais em: – Carnaval de Olinda

Museu CR 7 Cristiano Ronaldo na Ilha da Madeira

Cristiano Ronaldo, futebolista português, famoso mundialmente pelo seu exemplo de profissionalismo e dedicação ao trabalho, inaugurou recentemente o “Museu CR 7 Cristiano Ronaldo” no Funchal, Ilha da Madeira. O camisa 7 do Real Madrid e da seleção lusitana é um dos filhos mais ilustres da localidade e como tal é idolatrado por crianças, jovens, adultos e idosos. A Ilha da Madeira tem inclusive um estádio batizado com o nome do craque que muito orgulho traz à todos os portugueses e não só aos Madeirenses.

Museu CR 7 Cristiano Ronaldo na Ilha da Madeira
Museu CR 7 Cristiano Ronaldo na Ilha da Madeira – Imagem Site Oficial ©

Aberto desde o dia 15 de dezembro de 2013, o Museu CR 7 Cristiano Ronaldo, já recebeu milhares de visitantes e guarda as duas Bolas de Ouro da Fifa, conquistadas em 2008 (Manchester United) e 2013 (Real Madrid); mas não só, já que turistas e habitantes locais podem ver também fotos desde o início de sua carreira, camisolas importantes utilizadas nos mais diversos jogos, prêmios por artilharia e 150 troféus (individuais e coletivos)  famosos recebidos pelo jogador. Os visitantes poderão ver também uma escultura de cera do jogador Cristiano Ronaldo em tamanho natural. O Museu CR7 tem também uma loja onde é possível adquirir diversos tipos de souvenirs inspirados no craque CR7!

Museu CR 7 Cristiano Ronaldo na Ilha da Madeira
Museu CR 7 Cristiano Ronaldo na Ilha da Madeira – Imagem Site Oficial ©

Sem dúvida o Museu CR7 é  um ponto importante no Funchal que deve ser visitado, não só pelos fãs do jogador Cristiano Ronaldo, mas por se tratar de um local que conta a história de vida de um grande craque do futebol,  que ficará sem dúvida para sempre na memória de pessoas das mais diferentes partes do mundo.  Parabéns Cristiano Ronaldo pelo seu profissionalismo!

Veja abaixo um vídeo a falar sobre a inauguração do Museu CR7:

Museu CR 7 Cristiano Ronaldo na Ilha da Madeira
Museu CR 7 Cristiano Ronaldo na Ilha da Madeira – Imagem Site Oficial ©

Site Oficial: – Museu CR7

Museu CR 7 Cristiano Ronaldo
Rua Princesa D. Amélia, 10

Horário: Segunda a Sábado das 10h00 às 18h00 sem interrupção para almoço.
Preços entrada: Adultos: 5 €, entrada grátis para crianças até aos 9 anos
Contacto: 291 639 880
Facebook: https://www.facebook.com/MuseuCr7

Segredos de Lisboa

Costumo dizer que para mim Lisboa é uma das cidades mais lindas e mais românticas do mundo. Para além do peso histórico que se pode sentir em cada canto, creio que poucas cidades proporcionam uma sensação mágica. Lisboa, proporciona. Senti isso desde a primeira vez em que pisei na baixa pombalina. Foi uma das maiores emoções da minha vida, tanto que chorei, fiquei uns 10 minutos parada, apenas a contemplar aquela beleza única. Abaixo temos mais um excelente  artigo de Pedro B. que mostrará alguns pontos imperdíveis de Lisboa. Espero que apreciem!

Segredos de Lisboa

Lisboa está na moda. Conotada internacionalmente como uma cidade Hype, Lisboa caiu nas graças de todas as publicações, de todas as vozes relevantes ligadas ao turismo. Finalmente… Ostento com orgulho a minha condição de Lisboeta e nunca entendi muito bem o porquê de Lisboa não ter andado antes nas bocas do mundo. Mas, finalmente, fez-se justiça e as suas ruas são atacadas diariamente por hordas de turistas esfomeados por desfrutar dos ambientes únicos que esta cidade tem para oferecer.

Lisboa contém uma fina mistura de civilidade e loucura, de tradição e modernidade, de inovação e autenticidade. Muitas vezes, quando ando em Lisboa, olho para os turistas e gostaria de estar no lugar deles. Gostaria de descobrir uma cidade como Lisboa, abraçada por pelo rio Tejo e por uma luz única, com uma herança cultural original e de grande relevância e com uma predisposição genuína para receber que a visita. Os Lisboetas querem encantar os seus visitantes e tem tido um enorme sucesso e eficácia nessa tarefa.

Confesso que alguma da sua autenticidade tem desaparecido e o fenómeno da gentrificação também já chegou a Lisboa, mas ainda consegue manter uma identidade muito própria e a sua capacidade de encantar não esmoreceu… pelo contrário, ao abrir a sua alma aos viajantes, Lisboa tem-se descoberto a si própria e, também nós, os seus residentes, temos beneficiado de verdadeiros tesouros, outrora reservados ou, pura e simplesmente, abandonados ou esquecidos.

Tenho a sorte e o privilegio de viver num dos bairros típicos de Lisboa, o bairro da Graça, com vistas absolutamente deslumbrantes e um tecido social e urbano muito pouco afetado pela gentrificação. Outros bairros Lisboetas não podem dizer o mesmo, mas o meu ainda mantém uma vida quotidiana muito genuína. Os cafés são autênticos (feios e barulhentos, mas com uma pastelaria fantástica), tratamos o dono das mercearias e dos restaurantes pelo nome e as suas ruas estão sempre pejadas de gente a andar de um lado para o outro, gente rica, pobre, bem vestida, mal vestida, mal educada, bem educada, etc. É um bairro vibrante e desde há uns anos para trás, o turista também passou a fazer parte desta moldura social.

Gosto desta sensação de invasão. Gosto de olhar para a cara dos turistas encantados com a minha cidade e por isso, após estas reflexões, quero contribuir com algumas pérolas de Lisboa, menos conhecidas e fora dos guias turísticos (ou sem grande destaque). São locais que sempre que os visito (e visito-os muitas vezes) fico sempre encantado e feliz por ser Lisboeta. Escolhi 15 locais, alguns no centro de Lisboa, outros fora de Lisboa, mas que de alguma forma nos remetem para Lisboa. Visitar estes locais não dispensa uma visita aos ícones mais badalados de Lisboa. Visitar o mosteiro dos Jerónimos é obrigatório, assim como o Bairro Alto, o Príncipe Real, o Chiado, a baixa e a Avenida Liberdade e por aí fora. Mas se nos vossos circuitos turísticos conseguirem incluir algum destes locais, tenho a certeza que vai valer a pena e, pasmem-se, têm muitos poucos turistas… Os Lisboetas estão lá podem ficar descansados.

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Vila Berta – Foto: Passeio de Jane ©

1. Vila Berta (Graça)

Situada junto ao largo da Graça, esta vila construída há mais de 100 anos, resulta da urbanização de parte de uma quinta para dar alojamento aos trabalhadores. A sua traça original está conservada com varandas em ferro e fachadas ornamentadas com azulejos. O “chalet” do proprietário, Joaquim Francisco Tojal, também se mantém. Um verdadeiro deleite para os olhos que ganha ainfa mais vida durante os Santos Populares no mês de Junho.

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Miradouro N. Sra do Monte – Foto Wikipédia

2. Miradouro da Senhora do Monte

Neste miradouro não há cafés e lojas de recordações, apenas Lisboa inteira que se oferece a quem o visita. Desde o estuário do Tejo até ao Parque florestal de Monsanto, Lisboa fica subitamente condensada neste ponto de observação verdadeiramente impressionante. Foi daqui que pela primeira vez tive a sensação das 7 colinas de Lisboa.)

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Palácio de Queluz – Foto Wikipédia Yomangani

3. Palácio Real de Queluz

Bastião do Rococó Português, este palácio foi construído no século XVII como um recanto de verão para D. Pedro de Bragança que viria a ser mais tarde marido e rei consorte de sua sobrinha, a Rainha D. Maria I de Portugal.

Da responsabilidade do arquiteto Mateus Vicente de Oliveira é considerado “o Versailles Português” se bem que com uma escala muito menor. Fica situado em Queluz a cerca de 10 minutos de Lisboa.

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Jardim da Estrela – Foto Sport Advisor©

4. Jardim da Estrela

Criado durante o século XIX por António Bernardo da Costa Cabral e sob a orientação dos jardineiros Jean Bonnard e João Francisco, o Jardim da Estrela foi desenhado ao estilo dos jardins Ingleses de inspiração Romântica. Possui 4,6 hectares e vários elementos de estatutária. Lagos com patos, peixes e relvados, o Jardim da Estrela é frequentado por muitas famílias lisboetas pelo facto de se localizar bem no centro de Lisboa. Possui ainda um magnífico coreto em ferro forjado que durante os meses de verão é usado como palco de vários concertos ao vivo.

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Parque das Nações – Foto Wikipédia Sacavém1

5. Parque das Nações – Vista para a Ponte Vasco da Gama

Graças à exposição mundial de 1998, Lisboa ganhou uma nova área urbanística e com uma exuberante arquitectura. Passear, fazer desporto, fazer compras, comer em óptimos restaurantes, o parque das nações apresenta-se como um espaço único e requintado na cidade de Lisboa. As vistas do rio Tejo com a Ponte Vasco da Gama em fundo são verdadeiramente deslumbrantes.

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Mãe da Água – Foto Portugal Confidential©

6. Mãe De Água

A Mãe de Água, situada no jardim das amoreiras, foi desenhada por Carlos Mardel durante o século XVIII e terminada por Reinaldo Manuel dos Santos em 1772 por ordem do Marquês de Pombal. Várias galerias de distribuição das águas de Lisboa podem ser visitadas, proporcionando cenários verdadeiramente impressionantes e de uma beleza rara. Atualmente alberga o museu da Água e o espaço é utilizado para exposições de arte, desfiles de moda e outros eventos.

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Pq. Monsanto – Foto de MY Guide ©

7. Parque Florestal de Monsanto

O parque florestal de Monsanto ocupa cerca de 10% do concelho de Lisboa. Estende-se por mais de 1000 hectares e é considerado o pulmão da cidade de Lisboa. Espaços lúdicos, equipamentos para desportos radicais e ao ar livre, anfiteatros para concertos e vistas únicas sobre a cidade de Lisboa e o rio Tejo são proporcionadas por este espaço verdadeiramente impressionante e que só agora os Lisboetas redescobriram-no.

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Botto Machado – Foto de CM Lisboa ©

8. Jardim Botto Machado

Construído em 1862 no campo de Santa Clara, em pleno recinto da feira da Ladra, este espaço foi recentemente reabilitado pela Câmara Municipal de Lisboa e para alem de uma excelente vista sobre o panteão Nacional e o rio Tejo, vale mesmo a pena levar um livro, sentar na esplanada e ouvir os pássaros e as crianças a brincarem no pequeno parque infantil.

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Jardim do Torel – Foto Panoramio ©

9. Jardim do Torel

Situado no alto de uma das 7 colinas de Lisboa, o acesso a este jardim não é evidente. No ano 2000 este jardim foi alvo de uma intervenção de requalificação e restauro oferecendo aos Lisboetas um novo espaço verdadeiramente repousante. Durante o verão de 2014 foi instalada uma praia artificial no lago deste jardim. As vistas sobre a cidade de Lisboa são intoxicantes.

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Praça das Flores – Foto de LisbonLux ©

10. Praça das Flores

Situada entre São Bento e o Bairro Alto, a praça das flores é um refúgio de tranquilidade. Várias vezes apontada como a mais romântica das praças Lisboetas, conta com bons cafés e restaurantes.

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Fábrica Braço de Prata – Foto de Fotografia Portugal©

11. Fábrica do Braço de Prata

Antiga fábrica de material de guerra, em 2007 foi edificada como um espaço que privilegia as artes, o debate de ideias e as mais variadas manifestações culturais. Espaço de lazer noturno, conta com várias salas e galerias onde tudo acontece ao mesmo tempo. Espaço de intervenção também ao nível da “street art” poderão ser visitados várias obras dos mais relevantes artistas com destaque para várias intervenções de Vhils.

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Darwin’s Café – Foto Site Oficial ©

12. Darwin’s Café

Situado na zona ribeirinha de Lisboa, integrado no complexo da fundação Champalimaud, ao entrarmos neste café somos transportados para o universo do naturalista e biólogo britânico Charles Darwin, criador da teoria da evolução das espécies, criando um ambiente único que alia a antiguidade do mobiliário com a modernidade do espaço. A esplanada com uma vista deslumbrante sobre o rio Tejo faz deste local um verdadeiro deleite para todos os nossos sentidos.

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Cais do Ginjal – Foto de World Mapz©

13. Cais do ginjal

Antiga zona de empresas de pesca e navegação, situada no outro lado do rio Tejo, o cais do Ginjal converteu-se numa zona de passeio e lazer, sempre com a cidade de Lisboa como pano de fundo. Pode-se apanhar o barco no Cais do Sodré em direção a Cacilhas e passear por entre armazéns abandonados e restaurantes com esplanadas verdadeiramente originais.

14. Museu da Electricidade

Antiga central termoeléctrica de cidade de Lisboa, este edifício com cerca de 100 apresenta uma fachada de cortar a respiração e ainda é possível visitar o seu interior carregado de verdadeiros tesouros da arqueologia industrial.

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LX Factory Lisboa – Foto de Zingarate ©

15. LxFactory

Situada em Alcântara esta área industrial de 23.000 m2 foi devolvida à cidade de Lisboa como uma ilha criativa ocupada por empresas e profissionais da indústria. Forte pólo agregador de ideias inovadoras e criativas, a LxFactory proporciona a todos os seus visitantes várias lojas e restaurantes verdadeiramente inovadores e criativos. Destaca-se a livraria Ler Devagar, instalada numa antiga gráfica e com um cenário verdadeiramente impressionante.

A colonização do nosso ser

Hoje mais uma vez contamos com a preciosa colaboração de Pedro  B. num artigo  que novamente vos põe a refletir! Tenho certeza de que vão gostar. Vamos a ele?

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A colonização do nosso ser

A nossa vida intelectual e os nossos espaços públicos estão a ser colonizados pelas marcas e pelo marketing. Para que uma sociedade seja saudável é muito importante manter e cultivar os espaços públicos nos quais nos possamos afirmar como cidadãos e não como consumidores. Será que ainda existe esse espaço ou já o perdemos totalmente?

Este é um ponto de partida para uma reflexão que cada vez mais se impõe, tendo em conta o momento actual do nosso país. Estamos em crise e a sua maior expressão, certamente, será sentida na capacidade de consumo que nos assiste enquanto cidadãos.

Passamos de um mercado de consumo que pretendia antecipar e satisfazer as nossas necessidades para um mercado que passou a criar novas necessidades e agora até se propõe a construir relações emocionais com os seus consumidores.

Ao entrarmos neste último campo, os limites deixam de ser claros, passando a ser legítimo às empresas empreenderam qualquer tipo de acção, recorrendo a doses massivas de técnicas de branding para conquistarem um pouco de espaço na mente dos cidadãos e, assim, lentamente, iniciarem a transformação dos cidadãos em consumidores, ávidos de produtos sem utilidade, sem vontade própria e com uma falsa sensação de segurança, proporcionada por uma sensação de harmonia artificial, criada em laboratório pelas marcas que povoam o nosso quotidiano.

A nossa mente está a ser colonizada por ligações emocionais falsas e que, por vezes, nos poderão levar a reacções condicionadas e naturalmente opostas à nossa condição enquanto pessoas, enquanto cidadãos.

E agora coloca-se o grande desafio: Com esta crise, vamos reconquistar os nossos espaços públicos livre das marcas porque não temos capacidade de consumir ou porque o nosso modelo de sociedade de consumo já se esgotou? Ou será que a condição de cidadão foi esquecida e mesmo substituída pela condição de consumidor e as marcas vão encontrar um novo modelo de consumo que nos satisfaça?

São legítimas perguntas de um curioso que vos escreve estas palavras e que neste momento está a magicar como é que a “dona” deste blog estará a digerir estas palavras, enquanto detentora, e vamos assumi-lo sem qualquer pudor, de uma marca.

Pois bem, acredito que projetos como o BigViagem são extremamente positivos para a nossa condição enquanto consumidores, pois o seu objetivo primordial é a informação e não a venda e por isso nos lembram que, antes do consumidor colonizador, existia e existe um cidadão dentro de nós, com preocupações de cariz comunitário e social, preocupações que se sobrepõem ao consumo pelo consumo e que nos ajudam a combater a militância hedonista exacerbada que grassa como uma rolo compressor nas grandes cidades e centros de consumo.

São projetos como este que têm a capacidade de nos “obrigar” a uma introspeção séria sobre os nossos modos e hábitos de vida contemporâneos, de uma forma verdadeiramente eficaz, uma vez que nos impactam como consumidores, como qualquer outra marca, mas veiculando informação desprendida de obrigações comerciais e que vai de encontro às nossas expectativas enquanto consumidores e enquanto cidadãos que todos aspiramos a ser.

“Sicut ergo sum” ou como o facebook inspirou-se em Descartes

Hoje trazemos para vocês mais um excelente artigo do nosso colaborador Pedro B. Deliciei-me do começo ao fim, adorei cada ponto e faço minhas as palavras dele.

Quantos likes você vale? Quem merece o seu like? É isso que move sua vida? Porque? Para que? Você se influencia pelos likes?

Acabei de fazer-me todas estas perguntas após a leitura do artigo abaixo. Vamos a ele?

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“Sicut ergo sum” ou como o facebook inspirou-se em Descartes

Sicut ergo sum” quer dizer “gosto logo sou” e é uma pequena provocação que faço ao leitores do BigViagem em particular e aos “surfistas Web” em geral. E porquê uma provocação? Porque acredito, tal como Descartes, que a dúvida é o mais notável motor do conhecimento humano, conhecimento esse que teve uma brutal evolução quando este notável filosofo e matemático do século XVII, editou a sua monumental obra “ Discurso do método” que revolucionou todo o pensamento humano até então. E esta revolução estava contida numa pequena frase em latim que todos nós conhecemos: “Cogito ergo sum” ou seja “ Penso, logo existo”.

O poder desta pequena frase é muito maior do que parece. Ela encerra em si mesmo um corte abrupto com toda uma estrutura de pensamento herdada da idade média, na qual se atribuía a nossa existência a intervenções de carácter divino e religioso, pouco claras e impossíveis de se provar. Sem assumir uma posição céptica, Descartes lançou o cepticismo para cima da mesa, cepticismo este assente na utilização da dúvida como forma de se chegar ao conhecimento efetivo e lógico. E esta nova perspetiva veio a revolucionar o mundo. Subitamente o destino dos homens estava, afinal, nas suas próprias mãos e não nas mãos de algo divino e inexplicável. Conseguem imaginar agora o poder desta frase “Cogito ergo sum”?

Um novo homem surgiu, agora preparado para novos voos e liberto das garras do misticismo e do divino. Este novo homem levou a revoluções sociais e politicas, acabou com monarquias, instituiu novos sistemas sociais, criou a ciência e levou o conhecimento humano e tecnológico a patamares nunca vistos e com uma velocidade absurda. Todos nós, somos vítimas desta boa ideia que Descartes resolveu um dia colocar em livro. E, pasmem-se, ainda hoje, estamos a sentir as suas ondas de choque. Vivemos num mundo a alta velocidade, onde a performance importa em todos os domínios e onde acreditamos cada vez mais em nós próprios. Mesmo o ato de desencanto com o estado atual das coisas é, na verdade, um sintoma que ainda duvidamos, que ainda acreditamos numa vida que possa ser melhor e que somos capazes de levar à frente as nossas ideias, tal como a mensagem contida na elegante frase de Descartes – “Eu penso, logo existo”.

Este é, creio eu, o principal “mantra” do mundo ocidental. E Mark Zuckerberg, inventor do facebook, sabe-o melhor do que ninguém. Este “tetraneto” de Descartes, ao criar o facebook e, em particular, o brilhante botão do “like” iniciou, também ele uma nova revolução na nossa sociedade de consumo. Hoje em dia, a quantidade de likes que tenho, seja no que for, é definidor da minha personalidade. Poderia acrescentar a palavra eletrónica, mas a verdade é que com a intromissão da internet nas nossas vidas, cada vez mais é impossível separar as nossas personalidades físicas e eletrónicas.

Zuckerberg deu origem a “Sicut ergo sum”, ou seja, ao “gosto, logo sou” e embora ainda estejamos no início desta revolução, ela já está a moldar a nossa existência. E nada melhor do que a indústria do turismo para ilustrar esta revolução.

A nossa sociedade de redes informáticas permitiu a aparição do indivíduo incorpóreo, sem contato físico, cuja janela para o mundo é um ecrã. O falso e o autêntico ganham novas dimensões nestas condições. Visitar uma cidade através do google street view não se pode comparar a uma visita física, é certo, mas quem me diz que não estive lá? Eletronicamente vivi a cidade, os seus monumentos e as suas vistas. Por isso comparar o físico ao eletrónico não pode ser uma boa medida, pois são coisas diferentes.

Trata-se da exploração de uma nova dimensão igualmente válida, numa fase imatura, mas com uma grande diferença – a sua capacidade de conseguir chegar à maioria das pessoas. Veneza pode ser inatingível de avião, mas está à disposição de todos em qualquer ecrã de computador, tablet ou smartphone. E isso é maravilhoso!

Tal como é maravilhoso, no entanto contendo algum grau de perversão, o botão like do facebook que deu origem a este artigo. Eletronicamente, a minha existência está dependente deste botão, e isto é verdade para muitas coisas.

Vejamos o caso de um novo destino turístico. Se eu tiver muitos “likes”, certamente que terei mais sucesso, ou seja, se gostam, logo sou. O mesmo para este vosso próprio blog que tão assiduamente frequentam. Ele está dependente dos vossos “likes” para existir num mercado virtual que garantirá a sua viabilidade. Quantos mais “likes” tiver, mais apostarão no BigViagem, que por sua vez, mais capacidade terá a Kátia Pinheiro de fornecer bons conteúdos a todos vocês, caros leitores. E o mesmo para mim próprio. Os meus textos e reflexões só existem se tiverem leitores, cuja medição através de “likes” é extremamente precisa e eficaz. Eu tenho “likes”, logo existo.

Lisboa tem a ponte mais linda da Europa

A European Best Destinations elegeu as 15 pontes mais lindas da Europa para se conhecer. Nosso lindo e amado Portugal aparece com 3 pontes destacadas. Sendo elas a Ponte 25 de Abril (Lisboa) em 1º lugar, a Ponte Dom Luis (Porto) em 5º lugar, e a Ponte Vasco da Gama (Lisboa) em 14º lugar. Parabéns Portugal, parabéns portugueses! Este país realmente é lindo! ?

A Ponte 25 de Abril, é uma ponte pênsil que liga a cidade de Lisboa, capital de Portugal, para o município de Almada, na margem esquerda (sul) do rio Tejo. Inaugurada em 6 de agosto de 1966, tinha inicialmente o nome de Ponte Salazar. A semelhança com  a Ponte Golden Gate, em San Francisco, EUA, foi destacada. Tem 2.277 m de comprimento e é considerada a 23º maior ponte suspensa do mundo. O nome da ponte mudou em 1974, e é uma homenagem a data que se deu a Revolução dos Cravos.

©Matthieu Cadiou - European Best Destinations
©Matthieu Cadiou – European Best Destinations

A Ponte Dom Luis, no Porto, liga o Porto a Vila Nova de Gaia, foi inaugurada em 1886 e tem 395 metros de comprimento e 8 metros de largura.

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©Matthieu Cadiou – European Best Destinations

A Ponte Vasco da Gama atravessa o rio Tejo, no Parque das Nações, em Lisboa.É a maior ponte da Europa com uma extensão total de 17,2 km . A ponte foi aberta ao tráfego em 29 de março de 1998, para a Expo 98, a Feira Mundial que comemorou o 500º aniversário da descoberta por Vasco da Gama do caminho marítimo da Europa para a Índia.

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Copyright bradleypjohnson©

 

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Fonte: European Best Destinations

Museu The Beatles Story – Liverpool

O Museu The Beatles Story situado em Liverpool (Inglaterra)  é o paraíso terreno para qualquer “Beatlemaníaco” que deseja conhecer tudo sobre uma das bandas mais famosas do século XX. No Museu The Beatles Story, o visitante terá acesso a diversas galerias temáticas que contam a história da banda desde o início até o final. É possível encontrar também informações sobre a carreira de cada integrante após o término da banda.

O Museu The Beatles Story não é um museu comum, já que apresenta aos visitantes atrações diferenciadas como por exemplo um cinema Fab4D, que exibe animações em 3D, e a Discovery Zone, área interativa onde crianças de todas as idades são convidadas a experimentar e conhecer a história da banda de uma forma interessante e diferenciada. São diversas atividades que incluem oficinas, a oportunidade de criar seu próprio jornal, ouvir uma música numa loja de discos de 1950, e muito mais.

Museu The Beatles Story
Museu The Beatles Story – Foto Site Oficial ©

Algumas zonas do museu são abertas a visitação em grupos e para tanto é necessário certificar-se antecipadamente acerca de horários e condições para realizar a visita, por isso a dica é contactar o museu préviamente.

O Museu The Beatles Story conta ainda com uma loja, a Fab4Store, onde o turista poderá adquirir os mais diversos produtos da banda, e uma cafeteria para desfrutar de momentos de descontração num dos locais mais famosos do mundo!

Museu The Beatles Story
Museu The Beatles Story – Foto Site Oficial ©

Site Oficial: – Museu The Beatles Story

The Beatles Story Albert Dock,
Britannia Vaults, Albert Dock, Liverpool, L3 4AD
Tel: +44 (0)151 709 1963

Não poderia deixar de partilhar a minha música preferida: Something

Será a simpatia uma questão central quando viajamos?

Será a simpatia uma questão central quando viajamos? Mais um artigo do nosso colaborador Pedro B. para os leitores do Bigviagem refletirem e opinarem nos comentários.

Será a simpatia uma questão central quando viajamos?

A simpatia de um povo é normalmente um dos principais atributos que servem de âncora a uma viagem. Embora não exista um medidor rigoroso desta característica, é ponto assente que emissor e receptor de uma opinião sobre simpatia, estejam em sintonia. Recentemente tive o prazer de ler um artigo aqui no Bigviagem que falava sobre a simpatia dos europeus, e sendo eu um orgulhoso e convicto europeu, pus-me a reflectir sobre este tão instável e universal instrumento de medição de um povo de um pais, neste caso de um continente.

Será a simpatia uma questão central quando viajamos?

O artigo em si tem, desde já, um detalhe altamente positivo. Ele é escrito estritamente de um ponto de vista pessoal, resultado de um conjunto de experiências vividas e reinterpretadas pelo seu autor. Partilhar estas opiniões tem, portanto, todo o sentido e, devo dizer, é muito divertido e, direi mesmo, instrutivo, saber o que os outros povos pensam sobre nós, europeus. Mas foi ao ler os comentários dos atentos leitores deste blog que me levou a escrever este artigo, pois foi neles que pude constatar opiniões diversas, emitidas de várias geografias sobre a nossa suposta simpatia europeia. Não se trata aqui de concordar ou discordar, mas sim questionar-me porque é que alguns compatriotas meus reforçam, com bastante veemência, uma característica negativa que, em última análise, também os definem e caracterizam enquanto europeus e, por outro lado, tentar perceber porque é que alguns leitores brasileiros tentam desculpar a nossa antipatia europeia através de comparações de antipatias entre os dois continentes?

Urge começar pela própria definição de simpatia. O que é isso? Um sorriso no fim de uma frase? Uma total disponibilidade para ajudar o próximo seja em que situação for? Um esforço em falar um idioma comum? Partilhar referenciais culturais comuns? Falar baixo? Falar alto? Dar um lugar numa fila?

Não consigo parametrizar de uma forma rigorosa, mas consigo filtrar algumas características que me são agradáveis, que me são simpáticas. Por exemplo, gosto do esforço dos outros povos em praticar um idioma comum, da mesma forma que me esforço nesse sentido. Esta característica traz-me boas recordações de um povo. Mas, já passei por situações em que a comunicação por idioma era absolutamente impossível e, no entanto, consegui comunicar, por gestos, sorrisos, expressões faciais etc. Guardo esta recordação muito mais vividamente do que as outras decorrentes de uma comunicação por idioma fácil e sem qualquer problema.

Mais acrescento, senti um grau de autenticidade e mesmo exclusividade que não senti na outra situação. Claramente o meu interlocutor que não falava uma língua em comum comigo foi muito mais simpático do que todos os outros que não tiveram necessidade de o fazer. Neste caso a minha avaliação da simpatia assentou na taxa de esforço empreendida quer por mim, quer pelo meu interlocutor. E a pergunta que se coloca obrigatoriamente é: Deverei considerar este povo cuja comunicação verbal foi nula mais antipático, ou simpático, do que os outros povos? Não, definitivamente, não, pois estaria a avaliar todo um povo e uma cultura a partir de uma experiência pessoal, localizada e momentânea.

Ainda servindo-me desta premissa da comunicação verbal, importa explorar uma situação absolutamente inversa, que também a vivi. Ao tentar comunicar em inglês com vários interlocutores, eles ouviam a pergunta e respondiam-me na sua língua materna. Porque é que faziam isto? Não sei e irritava-me sobejamente. Percebiam a minha alocução e ainda davam-se ao trabalho de perderem o seu precioso tempo a responderem-me num idioma impenetrável para mim. Claramente uma situação altamente antipática e merecedora de reprovação uma vez que possuíam forma de me ajudarem e não o quiseram fazer. Será este povo merecedor de uma etiqueta de antipatia decorrente desta infeliz situação? Não deveria eu, estando num pais que me acolhe, estar preocupado em falar no idioma que vigora? O facto de me dirigir numa língua que não é a deles pode revelar alguma preguiça e desatenção da minha parte e em determinadas culturas isso pode definir o curso de uma interação.

Enfim, poderia estar aqui a partilhar como todos vós um sem número de experiências e manipulá-las nos dois sentidos, porque, de qualquer perspectiva, podemos encontrar uma razão válida que justifique a nossa simpatia ou antipatia, porque, simplesmente, a simpatia não é abstracta. Ela depende de um conjunto de factores que têm a ver com a nossa cultura, a nossa educação e as nossas experiências. A simpatia é, portanto, uma opinião, que, quanto a mim, vale a pena ser partilhada, porque tem utilidade, no entanto, não pode o principal pilar que define ou caracteriza um pais, um povo ou um continente inteiro.

Nós, europeus, portugueses, somos simpáticos à nossa maneira. Caberá aos povos que nos visitam tentar descodificar essa maneira e assim tirar o melhor proveito possível de uma estadia neste fascinante continente. Concordo que existem situações inultrapassáveis em qualquer parte do mundo. Posso compreender as diferenças no atendimento que se fazem nas lojas ou nos serviços públicos. Condeno todas as manifestações de descriminação. Mas, por favor, a identidade de um povo, de um continente, não pode estar refém de percepções sobre um conceito tão volátil como a simpatia.

Julgo também que se confunde muitas vezes eficácia com antipatia. Na verdade, nós enquanto turistas, viajantes, sentimo-nos especiais e queremos toda a atenção. Quando não a temos, sentimo-nos frustrados e descarregamos a nossa raiva naquele pais, naquele povo. Não é justo. Em última análise somos nós, enquanto turistas, que estamos a nos intrometer e embora mereçamos o mesmo tratamento, muitas vezes não nos apercebemos que o que estamos a fazer é a atrapalhar um conjunto de códigos instituídos e, esses sim, verdadeiramente definidores de um povo, de um continente.

Turismo – A guerra dos sexos continua a existir, mas agora tem muito mais piada

Como você e seu companheiro ou companheira escolhem como serão as férias? Quem decide o que fazer?  De quem é o voto Minerva?

Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo especial do nosso colaborador Pedro B. que te levará numa viagem através dos tempos! Prontos para isso?

A guerra dos sexos continua a existir, mas agora tem muito mais piada

A ligação do homem aos atributos de beleza e sensibilidade, vistos como características essencialmente femininas, começou a ser desacreditada aquando da criação da sociedade vitoriana do século XIX. O homem passou a ser visto como uma força de trabalho, como uma fonte geradora de dinheiro, como um cidadão responsável que não pode, nem deve perder tempo com coisas frívolas e fúteis. O adjetivo belo passou a ficar mal no homem, passou a ser uma fonte de descriminação, um sintoma de doença.

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E se o sexo masculino enveredou por esse caminho, o trilho percorrido pelo sexo feminino foi absolutamente contrário. À mulher nada mais se exigia do que dar à luz, cuidar da sua descendência e manter-se bela para deleite dos homens e da sociedade em geral. Mal da mulher que ficasse solteira, que quisesse trabalhar ou que ousasse divertir-se durante as suas aventuras sexuais, mesmo sendo obrigada a praticar todos os ditames exigidos no campo da beleza e da sensualidade.

Não foram tempos fáceis, principalmente para as mulheres, mas por volta dos anos 60, tudo começou a mudar com a sistemática quebra de tabus instituídos e o início de novas dinâmicas sociais, assentes não só numa melhor distribuição do rendimento, mas também no desejo e na possibilidade de cada indivíduo poder exercer a sua individualidade. Foram nestes loucos anos que o rock e o pop se afirmaram não só como estilo musical, mas principalmente como modo de vida. Assistimos também à criação das primeiras tribos urbanas verdadeiramente globais, movidas por ideais novos e fracturantes, identificáveis através das suas roupas e do seu modo de se apresentarem. Iniciou-se o processo de reabilitação da beleza masculina, tão popular nos séculos XVII e XVIII (se bem que com contornos absolutamente diferentes e com uma expressão muito reduzida às classes abastadas), com várias publicações a fornecerem conselhos estéticos, sem qualquer pudor, aos homens. O belo começou a deixar de ser um exclusivo feminino e começou a infetar, ainda muito ligeiramente, os homens. O sex appeal masculino começou a ser reconhecido pelas mulheres.

A cultura gay contribuiu em grande escala para este novo homem, pois assumiu e legitimou a preocupação masculina com a sua aparência. Foi um processo lento, mas que, deixou de ser uma questão no início do século XXI. Apareceram os metrosexuais, as cirurgias estéticas, o botox e os liftings começaram a ser partilhados entre os dois sexos, o consumo de produtos cosméticos disparou nos homens e vem aumentando significativamente nas mulheres, as mulheres redobraram os esforços quanto à sua aparência, e embora ainda persistindo uma grande diferença entre o consumo destes produtos e destas formas de vida quando comparamos os 2 sexos, com uma grande proeminência feminina, finalmente democratizou-se a beleza e a aparência.

Mas o contrário também aconteceu. Cada vez mais, existem mulheres em grande posições de destaque e de poder, desempenhando papeis de grande relevância social e adoptando códigos tipicamente masculinos sem qualquer pudor ou descriminação. Ocorre-me, de imediato, uma espécie de cultura unisexo, sem distinção entre os papeis desempenhados por cada sexo, mas acho que não corresponde à verdade. Redistribuição de tarefas não faz com que os géneros sexuais sejam indiferenciados. Pelo contrário, criam-se novas formas de abordar assuntos clássicos, com soluções mais eficazes e equilibradas.

Mas será esta uma conquista apenas de cariz estético? Definitivamente não. A quebra destas regras, levam a que novas formas de pensar, de atuar, sejam adotadas por ambos os sexos, esbatendo assim os formatos das tradicionais “guerras dos sexos”. Essas guerras persistem, mas agora têm muito mais piada. Basta-me imaginar uma viagem de um casal à cidade de Madrid, durante a qual a mulher luta por uma tarde passada no estádio de futebol Santiago Barnabéu, enquanto o homem esgrime os seus argumentos no sentido de investirem essa tarde passada nas lojas dos principais criadores para observar as últimas tendências. São cenários inimagináveis há 20 anos atrás, mas perfeitamente possíveis hoje em dia e, mais importante de tudo, não são censuráveis.

O que resta então dessas antigas “guerras dos sexos” que nos alimentaram e divertiram ao longo de tantos anos? Estruturalmente elas mantêm-se, formalmente elas ganharam novos contornos que valerá a pena tentar explorar. E nada melhor do que o planeamento de uma viagem a 2 para nos ajudar. Utilizei a técnica do diálogo imaginado entre os 2 elementos do casal, aquando da discussão de cada tópico:

1. Escolher um destino de férias

Ele: Querida, este ano gostaria de visitar um país africano. O que é que dizes?

Ela: Parece-me muito bem. Mas com uma condição. Tem de ser uma coisa absolutamente selvagem, em contato total com a natureza.

Ele: Lá estás tu com essas manias da natureza. Isso é extremamente incómodo e para além disso podemos apanhar doenças e já sabes que não suporto sítios pouco higiénicos. Preciso sempre da minha hora matinal para me arranjar.

Ela: Vê lá tu que estava a pensar acampar no deserto. Como é que concebes África sem estares em comunhão com a natureza?

2. Preparar a bagagem

Ela: Querido, além da tua mala tens de preparar a minha, pois vou ter uma reunião até muito tarde e sigo direto para o aeroporto

Ele: Ok, não te preocupes. Tens alguma coisa especial que queiras incluir?

Ela: Apenas aquele casaco que me compraste o outro dia, mas apenas se couber, pois a quantidade de bagagem que levaste da última vez fez com que a nossa viagem ficasse caríssima

Ele: Querida, sabes como é, mesmo em férias não dispenso de uma partida de golf ou de ténis

Ela: Pois, mas precisas de te equipar a rigor? Afinal estamos em férias.

Ele: Mas como é que se joga golf ou ténis sem estar equipado a rigor? Isso é destruir o próprio jogo.

Ela: Pronto, está bem. Tu tens tempo para essas coisas e muita paciência. Para mim leva apenas roupa prática e que preferencialmente caiba numa bagagem de mão.

3. Definir um roteiro de viagem

Ele: Pronto, está decidido. Vamos visitar 4 museus, 2 shopping centres, o centro da cidade e ainda 2 praias. Inclui ainda um ballet na nossa última noite.

Ela: Parece-me bem, no entanto gostava mesmo de ir ver um jogo de futebol.

Ele: Para quê? Não gostas nada de futebol.

Ela: A questão não é essa. O futebol faz parte da cultura e da identidade desta cidade. Faço questão de ir viver esse momento tão importante. Para além de achar o avançado da equipa absolutamente irresistível.

Ele: Isso quer dizer que temos de cortar o ballet, pois não nos sobra tempo.

Ela: É isso. Nós já temos uma assinatura para a temporada de ballet na nossa cidade, porque é que vamos perder tempo com isso?

Memorial do Imigrante em São Paulo

Museu da Imigração em São Paulo
Museu da Imigração em São Paulo

O atual Memorial do Imigrante ou o Museu da Imigração em São Paulo tem o maior acervo de documentação sobre a imigração para o Brasil na passagem do século XIX para o XX , está aberto a visitação pública e recebe cerca de 10.000 visitantes por mês. Situado no bairro da Moóca, zona leste de da capital paulistana, o local servia de abrigo a imigrantes que chegavam no porto de Santos em busca de novas oportunidades em terras brasileira. A maioria deles oriundos da Itália, alí se instalavam até que encontrassem trabalho nas lavouras de café no interior do Estado, porém a hospedaria inaugurada no século XIX também hospedava imigrantes de outros países como Japão, Líbano, Espanha e outros.

Museu da Imigração em São Paulo
Museu da Imigração em São Paulo

O Memorial do Imigrante em São Paulo possui um setor de busca multimídia em que o visitante pode buscar o nome do parente e verificar se ele passou pela hospedaria e outro que consta os nomes de todos os imigrantes que desembarcaram no porto de Santos. Além disso as diversas salas do Memorial contam histórias de muitas pessoas e famílias que por alí passaram, contam também o crescimento e construção da cidade; histórias de vida e que marcaram a história da cidade de São Paulo. O acervo digital do Museu da Imigração e mais de 87 mil imagens e documentos disponíveis para consulta e download gratuito.

O local tem sido de grande utilidade à brasileiros que buscam informações de parentes europeus a fim de conseguirem cidadania européia. As informações podem ser obtidas  em documentos oficiais do Museu da Imigração como registro de matrículas, cartografia, cartas de chamadas, jornais, iconográficos, etc.

Memorial do Imigrante
Rua Visconde de Parnaíba, 1316, Mooca
São Paulo – SP – Brasil
Tel: 00 55(11) 2692-1866
De terça-feira a domingo, das 10h00 às 17h00.

Brevíssima incursão pela literatura de viagens

Você gosta de viajar? Gosta de ler? Se sua resposta foi sim, então certamente você adora literatura de viagens. Eu adoro! Eu amo ler, e devoro tudo que cai em minhas mãos e se for livros sobre viagem, guias de cidades, mapas e tudo  que nos faça conhecer mais sobre algum lugar, melhor ainda. Aliás já falei aqui sobre “Machu Picchu” e sobre “Campo de Estrelas” do meu amigo Leferr.

Porém o que muitos de nós não sabíamos é que a literatura  de viagens remontam ao século II. Abaixo temos um artigo muito interessante do nosso colaborador Pedro B. que aborda este tema. Vamos ler?

Brevíssima incursão pela literatura de viagens

Brevíssima incursão pela literatura de viagens

A arte de viajar faz parte do nosso inconsciente coletivo desde há muito tempo. Supõe-se que as primeiras obras de literatura de viagens remontam ao século II, no qual o escritor e geógrafo grego Pausanias, contemporâneo do imperador romano Marco Aurélio, faz uma descrição da Grécia dos seus dias. Mais tarde, já no século X, este género foi muito popular durante a dinastia Song da China medieval – uma dinastia que durou cerca de 400 anos.

Também a civilização árabe popularizou este tipo de literatura durante os séculos XIII e XIV, no entanto, sempre subordinada a temas mais latos como a topografia e a geografia. Foi apenas no século XIV que surgiu a primeira obra que está mais próxima daquilo que hoje chamamos literatura de viagens. O seu autor foi Petrarca e nela relata o prazer de subir ao monte Ventoux, sem qualquer preocupação de carácter geográfico, topográfico ou de outra natureza qualquer.

A partir daí, vários exemplos sucedem-se ao longo dos 4 séculos seguintes, com especial destaque para diários marítimos da responsabilidade de piratas famosos, como James Cook, até chegarmos às obras de Robert Louis Stevenson no fim do século XIX. A “Ilha do tesouro” mistura literatura, ficção científica, ficção histórica, literatura de viagens, romance. Outras obras deste autor fazem menção, pela primeira vez, ao campismo e à boleia como atividades recreativas ao alcance de todos. Tornaram-se clássicos de várias gerações e são reeditados, todos os anos, em muitos países. Foi a rampa de lançamento que a literatura de viagens estava a precisar.

Por fim, a modernidade. Finda a segunda guerra mundial, inventou-se a sociedade de consumo e o imaginário das viagens passou a intoxicar-nos… e ainda bem. Os guias invadiram as prateleiras das livrarias. O seu impacto foi tão grande que permitiram-se reinventar com versões concebidas para todo o tipo de gostos. Se eu quiser luxo, ou ambientes alternativos, ou gastronomia, ou música, ou vida noturna, ou uma série infindável de categorias, eu consigo encontrar.

Simultaneamente, a literatura de viagens impunha-se como género definitivo, maduro e independente. Grandes nomes surgiram, em Portugal inclusive, tornaram-se incontornáveis na história da literatura e ofereceram-nos obras verdadeiramente icónicas e inspiradoras.

Os primeiros nomes que me vêem à cabeça são Paul Theroux, Jan Morris e Bill Bryson. Tive a sorte e o privilégio de os “devorar” durante estas minhas férias. A acidez e a crueza de Theroux tem a capacidade de nos incomodar e chocar e de nos fazer refletir, o onirismo de Morris hipnotiza-nos e transporta-nos para ambientes que julgamos verosímeis, mas não o são, e o humor, sagacidade e curiosidade ilimitada de Bryson não tem preço… não tem mesmo!

Estes autores, entre muitos, elevaram a literatura de viagens a patamares surpreendentes e os seus contributos constituem a base de um edifício que não podemos dar-nos ao luxo de descurar. São património de todos os viajantes, de todos os turistas que todos os anos procuram experiências e perseguem memórias que irão perdurar durante toda a sua vida e que serão passadas para as próximas gerações.

Termas de Pedras Salgadas

Está mal do estômago?  Bebe Água das Pedras Salgadas. Pode parecer mera publicidade, mas não é. Felizmente em Portugal existe a famosa Água das Pedras e que realmente resulta bebe-la quando nos sentimos mal dispostos do estômago, seja por termos comido demais, seja por qual outro motivo for.

Água das Pedras Salgadas
Água das Pedras Salgadas

A nordeste de Portugal, na freguesia de Bornes de Aguiar, Vila Pouca de Aguiar, nasce a água mineral natural gasocarbónica mais famosa de Portugal. A água  hipersalina, bicarbonatada, sódica, gasocarbónica, ferruginosa e silicatada,  é benéfica para o aparelho digestivo, especificamente para o fígado, para a vesícula biliar, para o aparelho respiratório e para o metabolismo endócrino.

Balneário Água das Pedras Salgadas ©
Balneário Água das Pedras Salgadas ©

A Água das Pedras Salgadas não é alterada, ela sai da fonte com todas as propriedade citadas acima, apenas é engarrafada e posteriormente comercializada. Porém, não se destina apenas à quem esteja mal disposto, já que agora é possível encontra-la com diversos sabores e por isso pode agradavelmente acompanhar uma refeição como é feito em alguns páises no norte da Europa.

Piscina Interior Termas de Pedras Salgadas ©
Piscina Interior Termas de Pedras Salgadas ©

Aliada a grande fama das Águas das Pedras, as Termas de Pedras Salgadas ganharam fama em meados do século XIX, quando a família real portuguesa escolheu a localidade como destino de férias. As Termas de Pedras Salgadas é um verdadeiro templo de saúde destinado ao descanso e relaxamento, onde o turista e/ou visitante poderá desfrutar de salas de massagem e relaxamento, piscina interior aquecida com corredor de marcha, sauna,  hidromassagem, duche de agulheta, etc.

Para se hospedar a nossa sugestão são as Eco Houses do Pedras Salgadas spa & nature park, (eleito o edifício do ano em 2012)  que possuem capacidade de até 6 pessoas, e onde o hóspede poderá desfrutar de toda a beleza do local, bem como ter acesso a toda comodidade como TV Led, Som Ambiente, Máquina de lavar loiça e microondas, Serviço de Take Away a pedido, Máquina de café expresso, Serviço de limpeza diário,  Internet sem fios gratuita, etc.

Férias, descanso, relaxamento e ainda tratar da saúde! Bom demais não é mesmo??! 🙂

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