Como você e seu companheiro ou companheira escolhem como serão as férias? Quem decide o que fazer?  De quem é o voto Minerva?

Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo especial do nosso colaborador Pedro B. que te levará numa viagem através dos tempos! Prontos para isso?

A guerra dos sexos continua a existir, mas agora tem muito mais piada

A ligação do homem aos atributos de beleza e sensibilidade, vistos como características essencialmente femininas, começou a ser desacreditada aquando da criação da sociedade vitoriana do século XIX. O homem passou a ser visto como uma força de trabalho, como uma fonte geradora de dinheiro, como um cidadão responsável que não pode, nem deve perder tempo com coisas frívolas e fúteis. O adjetivo belo passou a ficar mal no homem, passou a ser uma fonte de descriminação, um sintoma de doença.

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E se o sexo masculino enveredou por esse caminho, o trilho percorrido pelo sexo feminino foi absolutamente contrário. À mulher nada mais se exigia do que dar à luz, cuidar da sua descendência e manter-se bela para deleite dos homens e da sociedade em geral. Mal da mulher que ficasse solteira, que quisesse trabalhar ou que ousasse divertir-se durante as suas aventuras sexuais, mesmo sendo obrigada a praticar todos os ditames exigidos no campo da beleza e da sensualidade.

Não foram tempos fáceis, principalmente para as mulheres, mas por volta dos anos 60, tudo começou a mudar com a sistemática quebra de tabus instituídos e o início de novas dinâmicas sociais, assentes não só numa melhor distribuição do rendimento, mas também no desejo e na possibilidade de cada indivíduo poder exercer a sua individualidade. Foram nestes loucos anos que o rock e o pop se afirmaram não só como estilo musical, mas principalmente como modo de vida. Assistimos também à criação das primeiras tribos urbanas verdadeiramente globais, movidas por ideais novos e fracturantes, identificáveis através das suas roupas e do seu modo de se apresentarem. Iniciou-se o processo de reabilitação da beleza masculina, tão popular nos séculos XVII e XVIII (se bem que com contornos absolutamente diferentes e com uma expressão muito reduzida às classes abastadas), com várias publicações a fornecerem conselhos estéticos, sem qualquer pudor, aos homens. O belo começou a deixar de ser um exclusivo feminino e começou a infetar, ainda muito ligeiramente, os homens. O sex appeal masculino começou a ser reconhecido pelas mulheres.

A cultura gay contribuiu em grande escala para este novo homem, pois assumiu e legitimou a preocupação masculina com a sua aparência. Foi um processo lento, mas que, deixou de ser uma questão no início do século XXI. Apareceram os metrosexuais, as cirurgias estéticas, o botox e os liftings começaram a ser partilhados entre os dois sexos, o consumo de produtos cosméticos disparou nos homens e vem aumentando significativamente nas mulheres, as mulheres redobraram os esforços quanto à sua aparência, e embora ainda persistindo uma grande diferença entre o consumo destes produtos e destas formas de vida quando comparamos os 2 sexos, com uma grande proeminência feminina, finalmente democratizou-se a beleza e a aparência.

Mas o contrário também aconteceu. Cada vez mais, existem mulheres em grande posições de destaque e de poder, desempenhando papeis de grande relevância social e adoptando códigos tipicamente masculinos sem qualquer pudor ou descriminação. Ocorre-me, de imediato, uma espécie de cultura unisexo, sem distinção entre os papeis desempenhados por cada sexo, mas acho que não corresponde à verdade. Redistribuição de tarefas não faz com que os géneros sexuais sejam indiferenciados. Pelo contrário, criam-se novas formas de abordar assuntos clássicos, com soluções mais eficazes e equilibradas.

Mas será esta uma conquista apenas de cariz estético? Definitivamente não. A quebra destas regras, levam a que novas formas de pensar, de atuar, sejam adotadas por ambos os sexos, esbatendo assim os formatos das tradicionais “guerras dos sexos”. Essas guerras persistem, mas agora têm muito mais piada. Basta-me imaginar uma viagem de um casal à cidade de Madrid, durante a qual a mulher luta por uma tarde passada no estádio de futebol Santiago Barnabéu, enquanto o homem esgrime os seus argumentos no sentido de investirem essa tarde passada nas lojas dos principais criadores para observar as últimas tendências. São cenários inimagináveis há 20 anos atrás, mas perfeitamente possíveis hoje em dia e, mais importante de tudo, não são censuráveis.

O que resta então dessas antigas “guerras dos sexos” que nos alimentaram e divertiram ao longo de tantos anos? Estruturalmente elas mantêm-se, formalmente elas ganharam novos contornos que valerá a pena tentar explorar. E nada melhor do que o planeamento de uma viagem a 2 para nos ajudar. Utilizei a técnica do diálogo imaginado entre os 2 elementos do casal, aquando da discussão de cada tópico:

1. Escolher um destino de férias

Ele: Querida, este ano gostaria de visitar um país africano. O que é que dizes?

Ela: Parece-me muito bem. Mas com uma condição. Tem de ser uma coisa absolutamente selvagem, em contato total com a natureza.

Ele: Lá estás tu com essas manias da natureza. Isso é extremamente incómodo e para além disso podemos apanhar doenças e já sabes que não suporto sítios pouco higiénicos. Preciso sempre da minha hora matinal para me arranjar.

Ela: Vê lá tu que estava a pensar acampar no deserto. Como é que concebes África sem estares em comunhão com a natureza?

2. Preparar a bagagem

Ela: Querido, além da tua mala tens de preparar a minha, pois vou ter uma reunião até muito tarde e sigo direto para o aeroporto

Ele: Ok, não te preocupes. Tens alguma coisa especial que queiras incluir?

Ela: Apenas aquele casaco que me compraste o outro dia, mas apenas se couber, pois a quantidade de bagagem que levaste da última vez fez com que a nossa viagem ficasse caríssima

Ele: Querida, sabes como é, mesmo em férias não dispenso de uma partida de golf ou de ténis

Ela: Pois, mas precisas de te equipar a rigor? Afinal estamos em férias.

Ele: Mas como é que se joga golf ou ténis sem estar equipado a rigor? Isso é destruir o próprio jogo.

Ela: Pronto, está bem. Tu tens tempo para essas coisas e muita paciência. Para mim leva apenas roupa prática e que preferencialmente caiba numa bagagem de mão.

3. Definir um roteiro de viagem

Ele: Pronto, está decidido. Vamos visitar 4 museus, 2 shopping centres, o centro da cidade e ainda 2 praias. Inclui ainda um ballet na nossa última noite.

Ela: Parece-me bem, no entanto gostava mesmo de ir ver um jogo de futebol.

Ele: Para quê? Não gostas nada de futebol.

Ela: A questão não é essa. O futebol faz parte da cultura e da identidade desta cidade. Faço questão de ir viver esse momento tão importante. Para além de achar o avançado da equipa absolutamente irresistível.

Ele: Isso quer dizer que temos de cortar o ballet, pois não nos sobra tempo.

Ela: É isso. Nós já temos uma assinatura para a temporada de ballet na nossa cidade, porque é que vamos perder tempo com isso?