Quando você pensa em viajar qual a próxima coisa que pensa? Organizar um roteiro com horários e lugares que pretende visitar, acertei? Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo colaboração de Pedro B. sobre este tema, que nos faz pensar muito e que muitas vezes nos faz divergir  de opiniões entre os amigos e familiares. Eu confesso que prefiro tudo organizado, mas por um lado viajar com hora marcada para tudo e ter um time específico para cada programa me deixa bastante estressada. E você? O que acha?

Guia de viagem bipolar

Guia de viagem bipolar

Planear uma viagem é um momento crítico. Antecipar um conjunto de detalhes irá, certamente, fazer com que o nosso investimento de tempo e dinheiro esteja garantido de forma a potenciar aquele momento mágico para o qual estivemos a sonhar e a poupar durante o ano inteiro.

Planear é, portanto, uma tarefa que exige tempo e prática. É um processo que se vai construindo ao longo de várias viagens até chegarmos a um ponto ótimo que nos permite estabelecer padrões comuns para qualquer destino.

Umas pessoas atingem este ponto ótimo mais rápido do que outras. Não tem a ver apenas com capacidades de organização. Tem a ver com outras características de personalidade como, por exemplo, a timidez. Trata-se de um processo que vamos aperfeiçoando ao longo das nossas viagens até chegarmos aquele ponto em que pouco ou nada nos surpreende. É, portanto, um processo útil para eliminarmos o risco durante as nossas viagens e tirarmos o máximo partido do nosso destino.

No meu caso, atingi o ponto ótimo ao fim, de talvez, 4 viagens. Confesso-vos que apesar de ser um objetivo, quando o atingi e assim eliminei grande parte dos fatores de risco na minha 5ª viagem, senti um vazio e um artificialismo muito grande. Não gostei. Não gostei de ter tudo organizado até ao mais ínfimo detalhe, com tudo programado até ao minuto, e sem ter de empreender qualquer esforço na procura de soluções no momento.

Artificial é o melhor adjetivo que caracterizou a minha 5ª viagem. De tal forma me desagradou, que nas minhas viagens seguintes apenas tive o cuidado de marcar as viagens e avião. Tudo o resto foi feito no momento, proporcionando-me experiências inesquecíveis, tenham sido elas boas ou tremendamente más. Mas, no “fim do dia”, o saldo foi bastante positivo e o número de histórias e estórias a contar aos meus amigos aumentou consideravelmente.

Acredito que tudo isto, na verdade, se trata de uma questão de feitio. Há viajantes que gostam de ter tudo planeado e há outros que não gostam. Mas, no meu caso, caso não tivesse passado por um processo rigoroso de organizar as minhas primeiras viagens até ao último detalhe, não teria tido o prazer que tive quando decidi mudar radicalmente a planificação das minhas viagens.

Hoje trago-vos um guia de preparação de viagem bipolar. Bipolar porque tento abordar estes dois hemisférios que vos falei – organização rigorosa e ausência dela. Ambas são extremamente válidas e ambas, tenho a certeza, proporcionam extraordinárias recordações de uma viagem. O primeiro hemisfério tem uma predominância racional e o segundo é quase totalmente emocional. É um pouco como “largarmos as feras” que temos dentro de nós sem qualquer preocupação. Misturar os dois hemisférios será o ideal.

Como planear uma viagem

1. Escolher um destino

Hemisfério Racional – Para escolher um destino, discuta as várias possibilidades com os seus amigos. Faça pesquisa online, participe em fóruns e peça opiniões a viajantes experimentados. Pesquise fotos, artigos de jornal e revistas e navegue em blogs de viagem. Tenha em atenção condições climatéricas, rede de transportes, doenças e saneamento básico, condições políticas e sociais e momentos de lazer à disposição (cultura, shopping, praias, etc.)

Hemisfério Emocional – Calor ou frio? É só o que interessa. Encontre na net a passagem mais em conta, ou melhor, pegue na sua mochila, dirija-se ao aeroporto e escolha o destino naquele momento (meu Deus, como gostaria de ter a coragem de fazer isto!).

2. Escolher uma data

Hemisfério Racional – Terá a ver com a sua disponibilidade de tempo. Qual o momento oportuno em que consegue tirar férias sem comprometer o seu trabalho. Tenha em consideração se pretende viajar para um destino em época alta ou baixa e já agora combine este fator com o fator económico. Qual a melhor altura para beneficiar de promoções e descontos?

Hemisfério Emocional – A data da minha viagem é móvel. Aparece quando me chega a vontade de desaparecer. E nada de obstruções profissionais ou de outra natureza qualquer. Vou quando me apetecer e nada de submissão a promoções ou descontos. O meu coração vai ditar a melhor altura para viajar e ninguém tem nada a ver com isso.

3. Planear um itinerário

Hemisfério Racional – Adquira guias de viagens do local escolhido. Faça pesquisa na net e estabeleça uma lista com uma ordem cronológica dos locais a visitar. Prioritize estes locais e divida-os por natureza (cultural, lazer, desportivo, etc.). Planeie ainda o acesso a estes locais. Consegue aceder por transportes públicos? É necessário apanhar um táxi? Estabeleça um budget a gastar neste itinerário de forma a ter um referencial e assim controlar os seus custos.

Hemisfério Emocional – O itinerário da minha viagem será feito no momento. Depende do meu estado de espírito na altura e da minha disponibilidade. Às vezes uma cerveja gelada vale mais do que um quadro de Picasso e não há que ter qualquer vergonha em admitir isso.

4. Estabeleça um Budget

Hemisfério Racional – Elabore uma tabela Excel com todos os custos previstos por item. Guarde sempre uma margem para os imprevistos. O rigor e a exatidão vão determinar grande parte do sucesso da sua viagem.

Hemisfério Emocional – Tenho na minha posse uma quantia de dinheiro estimado para os dias de viagem. Espero que seja suficiente. Se não for tenho de voltar mais cedo, ou então se correr bem até fico mais uns dias e conheço mais locais. Preocupar-me com o dinheiro vai-me dar angústia e vai estragar a viagem. Se tiver de gastar mais dinheiro num determinado local é porque valeu a pena.

5. Efetue reservas

Hemisfério Racional – Quando estiver absolutamente certo do destino escolhido, é tempo de fazer reservas de voos, alojamento e se possível de espetáculos e atividades culturais e de lazer. Faço-o o mais cedo possível para garantir os melhores preços e evitar espera em filas de última hora.

Hemisfério Emocional – Reserve apenas o seu voo de ida e volta. Tudo o resto acontecerá por si. Para quê estar a reservar qualquer coisa em antecipação e assim condicionar o meu roteiro de férias? Fila de espera, nem pensar! Quero aproveitar tudo o que conseguir sem qualquer constrangimento de agenda. Certamente irei descobrir os melhores hotéis e os melhores locais quando chegar ao meu destino. E se tiver de dormir na rua, paciência.

6. Seguros e documentos

Hemisfério Racional – Tenha tudo em ordem com maior antecipação possível. Não arrisque.

Hemisfério Emocional – Tenha tudo em ordem no momento da viagem. Não arrisque.

7. Bagagem

Hemisfério Racional – Otimize ao máximo o seu espaço disponível. Se possível deixe algum espaço livre para trazer recordações na volta. Pense em mudas de roupa suficientes caso não consiga lavar roupa durante o percurso. Pense numa forma de identificar imediatamente a sua bagagem no momento da recolha nos aeroportos. Adapte os seus sacos ou malas de viagem aos transportes que vai utilizar no destino. A segurança destas também é um detalhe a ter em conta.

Hemisfério Emocional – Qual é a mochila mais leve?