Hoje o Big Viagem traz para vocês um texto muito interessante acerca de um tema que habitualmente os nossos leitores e leitoras costumam nos questionar e pedir sugestões e opiniões: – Viagens para Solteiros ou livres e desimpedidos.

Um texto inteligente e super perspicaz de autoria de Pedro B. , que sem dúvida vos fará refletir imenso sobre o assunto!

Boa viagem!

Viagens para solteiros, livres e desimpedidos

Viajar é muito mais do que um simples acto de nos deslocarmos de um ponto A para um ponto B. Viajar é um momento aspiracional que todos nós interiorizamos desde a nossa tenra infância até muito depois da nossa morte… Lembrem-se da nossa “última viagem”, a qual, consoante as nossas crenças e religiões nos poderá levar para o céu, ou para um lugar com 70 virgens à nossa espera, entre outros imaginativos paraísos prometidos.

Por isso, desde muito cedo, fantasiamos com este momento, discutimo-lo com os nossos amigos e amigas, fazemos listas de destinos e um sem número de coisas que alimentam o nosso espírito e muitas vezes servem de muleta para chegarmos até ao fim de mais um cansativo e exigente dia.

Viajar, por tudo isto, faz parte do nosso inconsciente coletivo, e mesmo que não o possamos fazer, conquistamos o direito a sonhar com a “viagem de sonho”. E esta viagem de sonho vai mudando ao longo do tempo, moldando-se à nossa personalidade e mutando-se conforme o nosso humor, as nossas necessidades e expectativas.

O fim da nossa adolescência é, sem dúvida, um período da nossa vida rico em mutações. Ainda somos jovens, temos a certeza que somos imortais e podemos ser o que quisermos. Vivemos uma vida alucinante, recheada de novas descobertas e sensações e queremos mais, muito mais… e não ficamos minimamente cansados… Na verdade, nem sequer conseguimos perceber como é que os nossos pais e as pessoas mais velhas estão cansados do seu dia de trabalho. Não faz qualquer sentido e fingimos compreender esse cansaço porque nos queremos integrar e não nos chatear muito com isso. É uma época maravilhosa.

É nesta altura que descobrimos o amor, ou algo parecido com isso, mas certamente muito próximo. E começam as nossas grandes fantasias, que, quer queiramos ou não, vão-se prolongar até ao fim dos nossos dias (quem não concorda que dê o primeiro passo).

Viajar sozinho/a, livre e desimpedido/a é uma dessas fantasias. Chegar a um lugar exótico, em que tudo é fácil e feito à nossa medida, onde as mulheres e os homens são os seres mais bonitos e perfeitos jamais concebidos e, pasmem-se, adoram-nos de uma forma quase exagerada e com um grau de devoção e intensidade impossível.

Sabemos que não existem lugares assim, mas recusamo-nos a deixar cair este “eldorado” que povoa a nossa consciência. Recusamo-nos porque acreditamos que a vida é um momento extraordinário e nunca perdemos a esperança, por muito ténue que seja, que esse momento pode aparecer mesmo ao virar da esquina ou ao virar do globo.

A nossa “lista de compras emocional” tem de conter esta viagem. E se a conseguirmos realizar? Como irá ser? Vamos mesmo encontrar este “eldorado” povoado de seres que nos vão idolatrar e acrescentar um novo sentido à nossa vida? (tenho que avisar as nossas leitoras que quem vos escreve é um homem e esse facto, tenho a certeza, condiciona uma possível perspectiva e opinião sobre esta “viagem”).

Acredito, francamente, que não. Mas a destruição deste mito também tem um efeito positivo e, de alguma forma, relaxante, pois podemos passar ao próximo item da tal “lista e compras emocional”.

Não vamos encontrar esse “eldorado”, mas vamos encontrar inúmeras outras razões que nos podem levar a ser pessoas muito melhores e realizadas.

Tenho que começar por vos dizer que a preparação desta viagem é um acto de egoísmo extremo. Estamos a pensar apenas em nós e mais ninguém. Tudo aponta para a satisfação das nossas necessidades e nada mais, necessidades essas que vão muito mais além do que conhecer um novo lugar, uma nova cultura, uma nova forma de vida.

Mas esta perspectiva não tem de ser negativa. Pelo contrário, trata-se de um momento nosso, que trabalhamos arduamente para o conquistar e que conseguimos materializá-lo. E esta materialização só tem sentido assim. Esta é a “minha viagem”, feita à minha medida e mais ninguém tem nada a ver com isto.

Termino com uma lista das prioridades e reflexões que poderão estar associadas a esta viagem:

1. Sexo: Quando estamos a planear esta viagem pensamos inevitavelmente neste assunto e prevemos que tudo irá ser mais fácil do que o habitual. Não é verdade. Estamos mais permeáveis e sujeitos a esquemas que nos poderão prejudicar e estragar a nossa viagem. Mas não desanimem. O que aconselho é muita prudência, muita segurança e que as coisas não vão ser tão fáceis como julgamos. Se o forem, prestem muita atenção porque certamente poderemos estar envolvidos num esquema menos saudável.

2. Ego:  Podemos ser quem quisermos: Temos tendência para ser e para nos revermos naquilo que os outros pensam de nós. Esta viagem pode ser a oportunidade de nos afirmar de formas diferentes e testarmos traços da nossa personalidade. Mas cuidado, por muitas variações que possamos empreender, existe sempre uma base assente em ética e valores apreendidos a longo da nossa vida que nos caracterizam enquanto seres humanos e sociais. Mexer nestes fatores básicos pode ser desastroso. Mas ensaiar um “novo eu” pode ser um exercício muito divertido e compensador.

3. Segurança: Estamos a viajar sozinhos, estamos com muita vontade de conhecer novas pessoas, novos ambientes e viver novas aventuras. Estamos, portanto, permeáveis a um conjunto de situações que não dominamos. A segurança deve ser muito cuidada para garantir que a nossa viagem de sonho não termine em pesadelo. Uma das grandes ferramentas que temos à nossa disposição para nos ajudar neste capítulo é, sem dúvida, o “bom senso”. Se há alguma coisa que não pareça correta é porque, provavelmente, não está correta. Os nossos instintos, na maior parte das vezes, estão certos.

4. Dinheiro: Viajar sozinho e com uma predisposição anormal para cumprir sonhos e desejos vai-nos sair, certamente, mais caro do que viajar acompanhado ou em grupo, uma vez que não partilhamos custos, por exemplo, no alojamento ou nos transportes. Bem sei que os sonhos não têm preço, mas uma viagem tem de ter um princípio e um fim. Saber usar os nossos recursos financeiros de uma forma equilibrada ao longo da nossa viagem é muito importante.

5. Solidão: Ao longo desta viagem vamos ter momentos de solidão e ninguém para partilhar um determinado momento ou situação e isso pode ser “stressante”. Mesmo que nas nossas cogitações iremos conhecer milhares de pessoas muito divertidas e incrivelmente bonitas, temos de estar preparados para lidar com estes momentos de solidão. Antecipá-los é meio caminho andado para os gerir da melhor forma possível e conseguirmos tirar o melhor proveito de momentos só para nós próprios.

6. Sorrir: Sorrir e ter uma atitude positiva atrai pessoas. Ter a capacidade de sorrir de uma forma autêntica pode ser o “ice breaker” mais eficaz à nossa disposição e quem sabe, o ingrediente secreto das viagens de sonho.