Mais um artigo de extrema importância desenvolvido por Pedro B. onde o tema central são as viagens para a terceira idade. Na minha opinião um texto surpreendente e que nos dá um olhar de outro prisma. Espero que apreciem!

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Viagens para a terceira idade

A segmentação de mercado é uma técnica de marketing para rentabilizar ao máximo o investimento num determinado segmento. Ao isolarmos um determinado grupo-alvo, estamos a criar condições específicas para irmos ao encontro das necessidades e expetativas de um grupo de pessoas que comungam de um conjunto de critérios pré-determinados, refletidos num produto ou serviço.

Estes critérios estão assentes, fundamentalmente, nas características geográficas, demográficas, psicográficas e comportamentais. Encontrar um denominador comum capaz de produzir uma linha de comunicação eficaz e capaz de impactar um determinado grupo-alvo de uma forma harmoniosa e coerente, faz com que os operadores de mercado consigam criar produtos rentáveis e equilibrados.

Basta pensar nisto: Tenho condições para criar um ótimo produto, mas não sei quem serão os meus clientes. Para isso, tenho de fazer vários testes ao mercado, com os custos que isso implica, até perceber para quem dirigir este produto. Se, pelo contrário, eu detetar uma determinada necessidade num conjunto de pessoas, cujas características atrás descritas são comuns, então adaptarei o meu produto a essas pessoas, a esse segmento de consumidores, e reduzirei enormemente os meus custos, pois sei como comunicar com elas, onde e como elas compram e quanto estão dispostos a gastar em média.

A segmentação é, portanto, uma arma de incrível eficácia à disposição das empresas e um facilitador para nós, enquanto consumidores. Existem muitas segmentações e elas variam de mercado para mercado. Por exemplo, no Japão, os consumidores são divididos etariamente por escalas de dois anos (10-12 anos; 12-14 anos, etc.). Nos Estados Unidos há um mercado específico para os afro-americanos. Mas podemos segmentar consumidores pelas suas características físicas, por exemplo, o nicho de mercado dos canhotos, ou pelo seu estado momentâneo – o segmento de mercado das grávidas. Enfim, existem um sem número de segmentações e, naturalmente, a 3ª idade é hoje um segmento extraordinariamente importante, principalmente nos mercados de consumo mais desenvolvidos.

Várias razões podem ser apontadas. Envelhecimento da população, aumento da esperança média de vida (provocando o aumento do tempo médio de reforma), maior poder de compra, melhor condição física, novos hábitos de consumo, etc. São tudo razões extremamente válidas para fazer da 3ª idade um segmento estratégico na sociedade de consumo. E o mesmo se passa quanto ao turismo. Calculo que estejamos a viver um “período de ouro” no turismo da 3ª idade, pois a 3ª idade contemporânea é composta pela chamada geração “Babyboomer” dos anos 60, os grandes responsáveis pela atual sociedade de consumo que hoje vivemos. São pessoas que procuram desfrutar ao máximo da sua vida e estão dispostas a investir tempo e dinheiro nisso. Muitas delas, por exemplo, não têm descendência, logo a sua atenção e recursos são direcionados de uma forma diferente do habitual. São uma geração que quebrou tradições e impôs novas regras à sociedade… E o mercado sabe disso.

E chegados aqui, entramos num paradoxo muito interessante. Existem cada vez mais produtos criados especificamente para a 3ª idade, cujo maior esforço é tentar mostrar ao seu público-alvo que não entrou ou pertence à 3ª idade. É curioso não é? Eu também acho. E por isso, tenho uma antipatia natural pelos produtos criados para este segmento específico (se calhar é porque estou a aproximar-me a passos largos para este segmento e não o quero admitir).

Mas eles existem e, na verdade, são de extrema utilidade e muitos deles estão muito bem feitos e muito bem pensados, pois antecipam necessidades específicas e apresentam soluções, que de outra forma, não seriam possíveis. Mais acrescento, que segmentações desta natureza podem ser extremamente úteis para o turismo relacionado com causas sociais. Abrir voluntariado com características especiais para a 3ª idade, parece-me ser uma ótima ideia e com uma grande potencialidade, pois a quantidade de pessoas reformadas da sua atividade profissional, mas com vontade, energia e “know-how” para contribuir para uma sociedade melhor, é enorme, e muitas vezes, estão adormecidos, pois não conhecem ou não concebem que tal seja possível.

Na verdade, tudo isto é uma novidade. Este segmento de mercado é bastante recente em termos de categoria de consumo. Isolá-lo é um passo enorme para acabar com a descriminação e admitir que a 3ª idade não tem de ser um calvário ou uma antecâmara antes da nossa morada final, e os produtos turísticos têm, neste segmento, um grande protagonismo, pois a sua imaterialidade alimenta sonhos e confere energia para prolongarmos a nossa vida… aliás, como em qualquer outro segmento de mercado.