Mais uma preciosa colaboração de Pedro B. para o Big Viagem e hoje o tema é um dos mais pedidos aqui no nosso blog: Uma viagem Romântica. Que tal viajar neste saboroso artigo e reflectir sobre o que vem a  ser para você a viagem romântica ideal?!

Viagem romântica – Uma boa surpresa ou não?

Viagem romântica – Uma boa surpresa ou não?

Definir uma viagem romântica não é tarefa fácil. O leitor/a pode julgar o contrário, pois ao longo destes anos tem cultivado um imaginário romântico muito próprio, mas convido-o/a a parar para pensar um pouco comigo e vai perceber que não é mesmo tarefa fácil.

Convidaram-me para discorrer sobre este tema e nos dois primeiros dias de reflexão, tudo o que me saiu da “caneta” foi claramente piroso, lamechas e absolutamente banal. Estive quase a desistir. Mas então ocorreu-me que a minha projeção mental de uma viagem romântica estava claramente difusa, ofuscada e confusa.

Vamos começar pela dimensão espaço, ou se quiserem, pela dimensão geográfica. Quais os destinos que estão associados a viagens românticas? Paris, certamente é um deles, assim como Praga, Roma ou Amesterdão (para mim umas das cidades mais românticas). A minha cidade, Lisboa, é indubitavelmente romântica, assim como o Rio de Janeiro, Nova York, Buenos Aires. Não nos podemos esquecer de Tóquio com um romantismo tão bem espelhado no filme de Sofia Coppola – Lost in translation. E poderia mencionar uma série de outras metrópoles associadas ao romance.

Vamos deixar as cidades por ora. Romance também está associado ao sol, calor e praias… mas também à neve, ao frio e às paisagens geladas povoadas de fiordes e auroras boreais… E também ao bucolismo das montanhas e das paisagens campestres. E quem me diz que um belo pântano não pode ser um bom tónico para o romance? E um deserto? E um oceano?

Tudo é romance, tudo é passível de servir o romance. A conceptualização geográfica de uma viagem romântica não é fácil, como vos tinha dito.

Passamos agora à dimensão temporal. E dentro desta dimensão temos 2 sub-dimensões: O meu tempo e o nosso tempo.

Vamos começar pelo último. Tal como a beleza, a educação, a violência, a higiene e um sem número de conceitos, também a noção sobre o romance e o romântico vai variando conforme as épocas. Todos nós desejamos uma praia paradisíaca para partilhar com o nosso amor, mas há uns anos atrás as praias eram desprezadas e consideradas incómodas quando comparadas com o campo. Os românticos do século XIX morriam (literalmente) de amores, tinham febres incontroláveis e os seus achaques deram origem ao iluminismo e à revolução Francesa. Hoje em dia os românticos contemporâneos dão origem a revistas cor-de-rosa e a “reality shows” de gosto duvidoso. É tudo uma questão de perspectiva e de “momentum”.

E quanto ao “meu tempo”? A construção e conceptualização que eu tenho sobre o romance e o romântico é o somatório de um conjunto de experiências e desejos ao longo da minha existência. Aos 20 anos apenas precisava de um quarto e uma cama para que a minha viagem romântica fosse um total sucesso. Aos 30 precisava de outras coisas mais sofisticadas e aos 40 nem se fala. A mesma coisa sobre a percepção dos locais. Mencionei atrás o romantismo que eu associo a Amesterdão. Bom, eu estive em Amesterdão nos meus 30 anos, não tinha problemas de dinheiro e tinha acabado de me divorciar. Os seus canais e as suas bicicletas enfeitiçaram-me. Mas se eu a tivesse visitado aos 20 anos, associava Amesterdão a outras coisas… na verdade, se calhar, nem me lembrava muito bem dela.

Chegamos agora à dimensão sensorial. E aqui é que as coisas tornam-se mesmo complicadas. O que é que eu espero de uma viagem romântica? Que objetivo é que eu persigo com uma viagem romântica? Uma viagem romântica implica 2 passagens de avião ou apenas 1? E o romantismo de uma viagem começa na compra das passagens ou apenas se forma quando chegar ao fim dela?

Como vêm, definir uma viagem romântica pode tornar-se numa tarefa bastante árdua. Mas, na verdade, não o é. E isto sei-o eu e sabe o leitor/a na ponta da língua, porque uma viagem romântica não está dependente de mais nada a não ser o prazer que iremos retirar de vivências e experiências que necessitamos para enriquecer as nossas vidas. O romance é um condimento fundamental para a formação da nossa pessoa, para que, quando tudo acabe, possamos dizer que a nossa breve estadia no planeta terra valeu a pena e que repetiríamos tudo outra vez se tivéssemos a oportunidade.

As viagens românticas publicitadas pelos operadores de viagens só não são um embuste, porque há um genuíno e louvável esforço em nos proporcionar ideias e meios para munirmos as nossas vidas de algum romance. Por isso, vos digo, sem qualquer pudor, que uma viagem romântica vale mesmo a pena e é sem dúvida uma das melhores surpresas que podemos proporcionar a alguém que gostamos.