Hoje o Bigviagem traz para vocês mais um artigo de Pedro B. onde o tema central são os burlões e as aldrabices que por vezes nos deparamos em nosso dia a dia, seja na vida profissional ou pessoal. Infelizmente mentirosos contumazes é que mais tem nos dias de hoje, e há em todas as esferas. Adorei o artigo e isso fez-me lembrar algo que eu sempre gosto de avisar aqui no blog, muito cuidado com promoções mirabolantes e preços milagrosos que alguns sites de viagem (e/ou agências) prometem. Quando a esmola é demais, santo desconfia. Por isso, esteja atento! 😉

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Burlões, vigaristas e a arte de viver

Ao folhear recentemente um jornal diário, dei de caras com um artigo surpreendente que contava as aventuras e desventuras de um burlão português. Poderia ser mais uma história como tantas outras, mas esta era especial, pois em tempos conheci o burlão em causa que me foi altamente recomendado por um insuspeito colega de profissão. Tive a oportunidade de reunir com ele e trocar ideias com o intuito de uma possível colaboração. Tudo correu maravilhosamente, e este burlão possuía todas as respostas e soluções que desde há uns meses procurava desesperadamente, para implementar na empresa onde trabalhava… mas algo levou-me a suspeitar deste clima quase perfeito. Tudo estava a correr bem demais e as nossas conversas estavam bem ancoradas numa lógica coerente e aparentemente simples. Acrescente-se ainda que o burlão foi-me recomendado através de uma fonte insuspeita. Em termos formais estava tudo bem e parte da resolução dos meus problemas estava ali mesmo há minha frente. O que me levou a desconfiar e a interromper as negociações? Terá sido um golpe de sorte?

Não, não foi um golpe de sorte. Foi antes uma sensação intraduzível de que algo não estava bem e, porque representava uma empresa, senti que não deveria continuar, independentemente da falsa sensação de “eldorado” que este burlão tão bem sabia gravar nas mentes dos seus interlocutores.

Descodificar este momento de decisão é uma tarefa árdua, com tentáculos que se estendem por entre vários campos científicos e para-científicos, sobre os quais não tenho qualquer competência, mas ao ler este artigo, levou-me a rebuscar as minhas memórias. Hoje esboço um sorriso pela minha sagacidade involuntária, mas poderia estar muito pior caso naquele momento em que decidi não avançar, houvesse outras condicionantes que me levassem a fazer o contrário, e acreditem que poderia ter sido mais uma das vítimas que este burlão enganou ao longo de mais de 20 anos, tivesse ele tido mais cuidado ao apresentar as suas valências e optado por um discurso menos profético e menos ambicioso.

No entanto, simpatizei enormemente com este burlão. Falávamos a “mesma língua” e estranhamente todas as suas referencias extra-profissionais coincidiam com as minhas. Ele fez o seu trabalho de casa e criou uma personagem extremamente agradável para a minha pessoa. Esqueceu-se de que misturar o universo e as referencias pessoais com o universo profissional e corporativo nunca dá bom resultado e esta mistura talvez tenha sido o “clique” que me levou a não prosseguir com os seus mirabolantes projectos.

Hoje olho para trás e acho tudo isto muito divertido. Mas, na verdade, é um verdadeiro desastre e uma calamidade que estes sujeitos continuem a alimentar-se das nossas vidas. Este burlão foi denunciado e de uma forma verdadeiramente implacável, tal era o rol de queixas e aldrabices que deixou para trás. Vai ter uma vida muito difícil a partir deste momento. Mas até chegar aqui andou 20 anos a engendrar esquemas e a enganar pessoas em seu benefício, por vezes por milhares de euros, outras por apenas uma cama para dormir durante a noite. O que leva estes sujeitos a optar por uma vida assim?

Normalmente são mentirosos patológicos e sociopatas, com uma alto grau de inteligência e um discurso cativante e irrepreensível. Este burlão não só inventou falsas empresas, como foi blogger convidado para assistir aos comícios de um dos principais partidos políticos portugueses e inclusive discursou numa palestra promovida pelo patriarcado português sobre os benefícios das redes sociais. Centenas de pessoas aplaudiram-no… em pé!

Um verdadeiro artista, sem dúvida, que foi apanhado pelo facto de ter deixado um rasto digital grande que passava principalmente pelas redes sociais, o seu terreno de eleição. O burlão foi apanhado, precisamente, pela fonte que utilizava para sustentar os seus esquemas. Uma bela lição de vida e de uma justiça a toda a prova.

Burlas e burlões é o que não faltam por aí, principalmente quando estamos em viagem. Quem nunca foi burlado, que “atire a primeira pedra”. Várias vezes fui vítima de burla, nenhuma delas muito grave, mas verdadeiramente irritantes e desnecessárias. Mas houve uma que embora a tenha identificado logo no início, deixei correr porque o meu interlocutor era um verdadeiro artista, como este burlão que vos falei, e deixei-me levar de propósito, porque na verdade estava a gostar de perceber até onde ia este burlão. Foi divertido.

Quase como um espectáculo e no fim valeu bem a pena e deixei-me burlar… por uma ninharia. Foi no Egipto e ainda hoje revisito este momento que um grande sorriso e alguma perplexidade: Porque que é que o burlão se deu aquele trabalho para ganhar uma ninharia? Há mistérios insondáveis e ainda bem, pois por vezes, proporcionam momentos verdadeiramente impagáveis.

É neste espírito divertido, portanto, que vos escrevo este artigo e que me dei ao trabalho de pesquisar verdadeiras obras de arte da vigarice, relacionadas com o turismo. Para quem não foi vítima, trata-se quase de uma ode à vida, de um estranho e original manual sobre a arte de viver. Mas para quem foi vítima, acreditem que é tudo menos isso. Por isso, que me desculpem aqueles que foram vítimas destes “artistas de meia tigela”, mas há histórias que merecem ser contadas, como poderão ver nestas aqui abaixo.

1. Victor Lustig – O homem que vendeu a torre Eiffel… 2 vezes!

Oriundo da Hungria, este “artista” conseguiu a proeza de vender a torre Eiffel a um industrial de ferro quando se discutia, na altura (1925), se a torre Eiffel deveria ou não ser desmantelada. Para além disso, ainda vendeu uma máquina de imprimir notas de 100 dólares. Vendia por um valor absurdo (cerca de 45.000 dólares) e colocava dentro da máquina 2 notas verdadeiras de 100 dólares. Argumentava que a máquina fazia uma nota a cada 6 horas. Autor de inúmeras burlas, chegou, inclusive, a ter negócios com Al Capone que ficou verdadeiramente impressionado com a sua capacidade. Considerado o rei dos artistas das burlas. Imaginem-se a visitar Paris e a sair de lá com um título de propriedade do mais relevante ícone daquela cidade. Hilariante não é?

2. George Parker – Nova York em saldo… para turistas

A sua vida foi passado a vender monumentos e infra-estruturas públicas da cidade de Nova York a turistas distraídos. Consta que vendeu a ponte de brooklin a uma média de 2 vezes por semana. O Madison Square Garden, o Museum of Modern Art e a estátua da Liberdade também faziam parte do seu portfolio. Morreu em 1936 e passou os últimos 8 anos da sua vida atrás das grades.

3. Natwarlal – O Taj Mahal também se vende

Indiano de nascença, consegui fazer fortuna ao “vender” o Taj Mahal, o parlamento da Índia e mesmo a residência oficial do presidente da Índia a grandes industriais e empresários de vários locais do globo. Possuía mais de 50 identidades diferentes e crê-se ter enganado centenas de pessoas. Nunca foi apanhado e morreu com 97 anos em 2009.

4. Gregor MacGregor – Poyais foi um país que nasceu da sua imaginação

Em 1820, este soldado escocês regressou a Grã-Bretanha como príncipe de Poyais, um país situado algures na América central. Vinha com o objectivo de conquistar financiamento para colonizar esta terra mágica e assim o conseguiu. A expedição chegou a sair de Inglaterra com cerca de 250 investidores, enfeitiçados pela sua capacidade de sedução ajudado inclusive por guias criados por ele sobre este país imaginário. Durante a viagem, morreram de doenças tropicais e o barco acabou por se afundar nunca tendo atingido o seu magnífico objectivo.